terça-feira, 25 de setembro de 2007

Imigrantes ilegais sem acesso à saúde


Um em cada 10 já enfrentou recusa na prestação de cuidados médicos

A organização "Médicos do Mundo" questionou 835 imigrantes em sete países da União Europeia. Grande parte dos inquiridos sofre de problemas crónicos mas apenas um terço está a receber tratamento.


É a falta de informação que mais afasta quem precisa dos cuidados médicos, mais de metade dos imigrantes dizem que não sabem onde se dirigir, outros, perto de 25 por cento, confessam que têm medo da denúncia e preferem a doença do que arriscarem-se a sair do país.

Para além de Portugal, o estudo analisou as condições de saúde de mais seis países, Bélgica, Espanha, França, Grécia, Itália e Reino Unido.

Aos ministros da Saúde da União Europeia, que hoje se reúnem no Porto, os Médicos do Mundo vão levar os resultados e a certeza que a teoria é bem diferente da prática, que os países se preocupam muito com o lado justo da lei, mas esquecem-se de aplicar a legislação.

Os resultados são prova disso, dos 835 imigrantes inquiridos, 650 deveriam, segundo a lei, ter acesso facilitado aos cuidados de saúde mas na realidade apenas 200 beneficiam dos direitos.

Perante as conclusões são apresentadas soluções. A organização "Médicos do Mundo" propõe que se separarem as políticas de imigração, das politcas de saúde, permitindo, por exemplo, que imigrantes, ainda que ilegais, possam obter uma autorização de permanência no país com tempo suficiente para receber o tratamento médico necessário. É preciso também criar meios de apoio aos imigrantes, como por exemplo, a existência de mediadores culturais nos hospitais.

Tudo por uma União mais justa que, defendem os Médicos de Mundo, deve passo a passo criar uma lista de "Boas práticas de saúde e de migração" e uniformizar comportamentos.

Ana Peneda Moreira
Jornalista

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