segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

HERBERT MARCUSE – FILOSOFIA E CIVILIZAÇÃO

Neste ano de 2008 ocorre o aniversario de 120 anos desde o nascimento de Herbert Marcuse, esse que foi um dos mais influentes pensadores do século XX.
Marcuse que faleceu em 1979, discutiu os fundamentos da sociedade, cultura, civilização e filosofia contemporâneas através de textos seminais. A consciência que muitos professam hoje da representatividade de Marcuse para a cultura critica do século passado é a de que oi um dos gurus da contratura. É um reducionismo equivocado pensar dessa forma. Ele foi mais do que isso. A obra que produziu abrange e problematiza consciência, ideologia, política, psicologia, sociologia e filosofia desde os anos 30, quando estudou Marx, nos 40 quando atuou contra o nazismo, nos 50 quando avaliou os fundamentos da Psicanálise e a obra de Freud à luz de Marx e até à morte quando intensificou a pesquisa sobre liberdade e consciência. Sua perspectiva sempre foi integrar teoria e cotidiano e construir uma prática política a partir da filosofia orientada para a emancipação das pessoas.
Inaugurou em 1937, depois de comentar Marx, uma serie de estudos sobre a sexualidade, o erotismo e a consciência, a corporeidade e o prazer, a liberdade e o instinto de sobrevivência. Mantém expressividade insuperável nos escritos que dedicou a Hegel, á revolução, á Teoria Critica. Militou na Escola de Frankfurt. Irrigou o monolítico bloco marxista de pensamentos heterodoxos muito além do eclipse da razão.
O movimento estudantil na Europa e nos Estados Unidos, principalmente, identificou no livro “O homem unidimensional”, que é de 1964, a argumentação para denunciar a racionalidade repressiva de um modo de produção de bens, inclusive os da consciência.
Em “Eros e Civilização” analisou em profundidade a teoria freudiana na qual a civilização surge em contradição com os instintos básicos humanos e afirma-se contra esses mesmos instintos. Encontrou soluções no próprio Freud que dissolvem a contradição.
E esboçou aspectos críticos que aprofundaria ao teorizar sobre o homem unidimensional: “O super desenvolvimento técnico e cientifico fica desmentido quando os bombardeiros equipados com radar, os produtos químicos e as ‘forças especiais’ da sociedade afluente desencadeiam-se sobre os mais pobres da Terra, seus barrancos, hospitais e campos de arroz”. Esta frase, de 1966, presente no prefacio à nova edição de “Eros e Civilização” sintetiza a disposição para pensar de Marcuse. Um legado atualíssimo.

‘Walter Galvão’

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