sexta-feira, 4 de abril de 2008

INGRID BETANCOURT – SIMPLESMENTE…

Foi necessário deixar de ser uma refém importante para as FARC, passando a ser um chamado fardo pesado, para não dizer já um fardo morto, para que esta rede terrorista colombiana, tenha decidido, finalmente, deixar partir a sua refém mais importante, Ingrid Betancourt.

Digo; deixou de ser refém importante, por que; neste momento a sua presença só pode comprometer as FARC, e politicamente arruinar ainda mais a sua imagem internacional, que neste momento é de meros “bandidos” negociantes de droga e aproveitadores de atos de extorsão, mas que pode passar a ser a muito breve trecho a de “ASSASSINOS”, caso ela venha a falecer ainda em cativeiro.

E mesmo que isso não ocorra, ou não tenha já infelizmente ocorrido, o simples fato de já muitos outros terem deixado as suas vidas, no meio da selva, em cativeiro sob o domínio das FARC, é já por si só condenatório, e perfeitamente de acordo com aquilo que na sociedade ocidental, e mesmo mundial se designa e convenciona por HOMICIDIO PREMEDITADO.

Para agravar ainda mais a sua débil situação física, Ingrid Betancourt segundo informações já mais do que confirmadas, iniciou uma greve de fome no passado dia 23 de Fevereiro.

Eu realmente questiono se já não será; tarde demais, e neste momento as FARC em vez de terem uma refém, nas suas; mãos, banhadas de sangue, não terão já um cadáver, a que nem sabem o que fazer.

É que realmente alguém que; segundo divulgou a rádio Colombiana Caracol, se encontrava com malária, leishmaniose e hepatite B, a necessitar com a máxima urgência de uma transfusão de sangue, e a recusar a medicação que lhe deve ser ministrada, consegue agüentar tantos dias em greve de fome.

A intenção da Espanha, Suíça e em especial da França através do Presidente Nicolas Sarkozy, de pressionar as FARC, no sentido de uma libertação imediata e sem condições, me parece neste momento já tardia, mas como a esperança é SIMPLESMENTE a ultima a morrer esperemos que ainda possam ir a tempo de pelo menos a resgatar com vida.

O que eu realmente questiono é que uma refém como Ingrid Betancourt, franco-colombiana, em poder das FARC desde Fevereiro de 2002, portanto á mais de 6 anos, só agora mereça por parte das autoridades internacionais esta atenção toda, e que nem é assim muita, face á gravidade e vergonha universal, diga-se. E questiono mais ainda:

Simplesmente Ingrid, e então os outros, as centenas de reféns que estão em poder das FARC?

A comunidade internacional, digo alguma comunidade internacional, mostrou-se muito revoltada com a posição do governo colombiano, no ataque a um acampamento situado fora do seu território, e pelo fato de ter feito uma limpeza em alguns terroristas. Mas a mesma comunidade internacional não foi capaz até hoje de tomar medidas de fundo para exterminar essa situação, nem sequer condenar com veemência a atitude premeditada e consecutiva deste grupo de terroristas.

Os governos dos diversos paises da América Latina, e em especial aqueles com maior poder de intervenção na cena internacional, como o Brasil e a Argentina, nunca se movimentaram para resolver a situação.

Uma situação que nunca pode ser encarada como de ingerência internacional, mas sim de auxilio humanitário, mais do que urgente, ainda mais que as autoridades e o presidente da Colômbia, já por mais de uma vez apelaram á ajuda internacional, na resolução desta situação, na sua globalidade, e não em termos puramente individuais.

O “caudilho” ditador Hugo Chávez tem pregado aos sete ventos as suas boas intenções, e todos os ditadores utilizam sempre esse papaguear, pois quem não se lembra de Hitler, Mussolini, Stalin, Fidel, Francisco Franco, Salazar. Mas ao mesmo o homem da blusa vermelha, é um aliado incondicional dos terroristas, a quem até trata por combatentes da liberdade, e força emergente.

Deixo as grandes perguntas, finais:

Os EUA lançam ofensivas um pouco por todo o mundo, em defesa daquilo que chamam, o combate ao terrorismo, e a defesa da liberdade, porque será que nesta questão ainda não movimentaram concretamente uma palha, tirando apoios pontuais ao governo de Álvaro Uribe?

A ONU também se farta de pregar a moral e os bons costumes internacionais. Mas até agora não disse uma palavra sobre este assunto, porque será?

A Comunidade Européia, afinal tem uma área especifica para tratar destas questões, mas salvo erro ninguém ainda manifestou nenhuma posição de força. E nem sequer o Sr. Barroso abriu a sua boca para dizer o que pensa sobre tudo isto, que embora não seja dentro das suas portas, é deveras preocupante, uma vez que a CE mantêm relações econômicas, com praticamente toda a América Latina, e este problema é um foco de intranqüilidade para toda a América Latina, sem exceção.

E a França que tem uma cidadã sua refém no meio da selva colombiana, demorou tanto tempo para tomar uma posição, e está a espera de que, ou de quem, para tomar uma posição de força, será que o Sr. Chirac que passou tantos anos sentado no Eliseu, nunca pensou que tinha uma cidadã sua no meio da selva? Foi necessário o Sarkozy tomar agora como suas as dores, que já existem a mais de 6 anos?

Porque razão, não se cria uma força tarefa, e se lança uma grande ofensiva contra as FARC em território da Colômbia e dos paises vizinhos que declaradamente dão hospedagem a esses terroristas. E se acaba de uma vez por todas com esta lamentável situação que não afeta só a Ingrid, mas SIMPLESMENTE muitas centenas de seres humanos que deveriam ser livres, e se encontram nas mãos de meros assassinos, que recebem declarado apoio internacional, para conseguir manter a sua atividade.

Alguém já escutou uma palavra por parte da Rússia sobre este assunto? Será que o fornecimento de armamento e apoio logístico é mais importante que centenas de vidas de inocentes?

Era já mais do que tempo de tomarem uma medida de força, que o Mundo democrático iria aceitar, e ajudar com toda a certeza, sem ter temor de conversas da treta de “caudilhos” porque tudo isso não passa de fumaça. O que é real, e esta muito longe de ser fumaça ou nevoeiro, são os seres humanos acorrentados e que estão a morrer no meio da Selva, vitimas de déspotas que se armam em revolucionários de um País que já á muito se afirmou como livre e constitucionalmente democrático.

Não pensem SIMPLESMENTE na Ingrid, mas pensem, sobretudo, no que representa para os Colombianos e para todos nós hoje a Ingrid Betancourt...

João Massapina

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