Por Fábio Reynol
Agência FAPESP – A professora de artes Tatiana Fecchio da Cunha Gonçalves reuniu cerca de 800 imagens de doentes mentais em hospitais psiquiátricos, entre elas algumas registradas por quatro fotógrafos ao longo da segunda metade do século 20 em instituições brasileiras.
O trabalho foi feito para o doutorado no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para o qual contou com Bolsa da FAPESP. Intitulada “A representação do louco e da loucura nas imagens de quatro fotógrafos brasileiros do século 20: Alice Brill, Leonid Streliaev, Cláudio Edinger, Cláudia Martins”, a tese foi defendida e aprovada no fim de janeiro.
“Há um conjunto de construções e elementos formais que tomam o ‘louco’ por diverso, de outra ordem, patológico, a distância”, disse à Agência FAPESP. A inspiração para o estudo surgiu durante o mestrado, quando Tatiana deparou com retratos de doentes mentais registrados por Alice Brill e pelo artista plástico Lasar Segall. “Achei intrigante o interesse deles pelo tema”, disse.
Por meio de um levantamento histórico detalhado, Tatiana recuperou imagens e conceitos produzidos a partir do século 17, quando surgiram os primeiros espaços de internação para doentes mentais.
Segundo ela, a loucura tem sido compreendida de diferentes maneiras ao longo do tempo. No entanto, as suas representações mantiveram alguns aspectos que chegaram até os dias atuais. “É o caso do louco visto como o diferente, o outro, o que deve ser isolado”, disse Tatiana.
Esse distanciamento entre o fotógrafo e o doente chega a ser delimitado em algumas fotos por meio da presença de grades nas cenas com o enfermo atrás delas.
Também são mantidos nas representações mais recentes, segundo a pesquisa, alguns elementos antigos de tipificação da loucura, como o louco melancólico das obras do pintor alemão Albrecht Dürer, no início do século 16, e o louco introspectivo segurando a cabeça, presente na Iconologia do escritor italiano Cesare Ripa no século 17.
Outras representações ainda ressaltam a bestialidade e a agressividade, passando, segundo Tatiana, a ideia de ameaça, como se o louco possuísse uma força imensurável.
Para a autora, muitas dessas imagens, realizadas há séculos, naturalizaram uma forma de compreender o louco como diverso, em sua “carga de alteridade”, segundo ela refere, constituindo ainda no século 20 “a ideia de que o louco deve ser afastado da sociedade”, afirmou.
Tatiana não se deteve na representação artística, tendo investigado também as ilustrações que a medicina produziu para registrar a loucura. Os estudos fisionômicos e as medições de índices corporais, segundo conta, eram utilizados como elementos para diagnósticos e para traçar teorias a respeito da insanidade mental.
“Por esse motivo, a fotografia assumiu uma grande importância para a psiquiatria e para teorias que associavam fisionomias a determinados comportamentos”, disse.
Um desses estudos mais famosos é o do italiano Cesare Lombroso, que associou características e defeitos faciais a comportamentos criminosos. Nesse aspecto, Tatiana ressalta que a fotografia assumiu, pela suposta objetividade do aparato técnico, um reconhecimento importante como instrumento científico.
Reforma psiquiátrica
Na segunda parte da tese, a autora analisa a produção dos quatro fotógrafos que compõem o cerne de seu trabalho: Alice Brill, fotógrafa e artista plástica alemã que retrata o Hospital do Juquery (SP), no ano de 1950; Leonid Streliaev, repórter fotográfico que fez imagens do Hospital São Pedro (RS) em 1971; Cláudio Edinger, que também fotografou o Juquery em 1989 e 1990; e Cláudia Martins, que produziu imagens da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, enquanto era estudante de jornalismo, de 1997 a 1999.
O período desses ensaios corresponde às mudanças provocadas pela reforma psiquiátrica iniciada na década de 1960. Tatiana contou que o fim da Segunda Guerra Mundial trouxe questionamentos à sociedade em relação aos padrões de “normatização”, os quais eram impostos especialmente em instituições como as escolas, as prisões e os manicômios.
“Com a reforma foram questionados os tratamentos da época e a doença mental passou a ser compreendida menos como uma doença dos corpos e mais como um reflexo de dinâmicas sociais”, revelou a pesquisadora.
Paradoxalmente, a autora ainda encontrou na segunda metade do século 20 resquícios da caracterização da loucura de tempos anteriores, o que mostra, segundo ela, que a ruptura com os antigos estigmas não foi tão grande. Outra hipótese é a de que a crítica proposta pela reforma psiquiátrica ainda está em processo, o que ainda deve provocar alterações na forma visual de representação da loucura.
“O fotógrafo [do século 20] ainda não partilha o espaço do fotografado, ele não está no mesmo lugar do outro”, disse. Dentre os fotógrafos estudados há uma tentativa mais explícita de rompimento com essa postura somente no trabalho de Cláudia Martins, segundo a pesquisadora.
“Ela procurou fazer com que os pacientes participassem da construção da imagem, eram eles que escolhiam o pano de fundo do cenário, a pose que fariam na foto e se estariam ou não acompanhados por outros internos”, apontou.
O estudo também traçou as mudanças nas relações da sociedade com os doentes mentais ao longo do tempo. Em 1950, por exemplo, Alice Brill foi aconselhada por amigos a não entrar no Juquery porque estava grávida, sob a justificativa de que os loucos poderiam “influenciar” o bebê. Já as imagens de Edinger, no fim dos anos 1980, trazem um tema inédito em trabalhos desse gênero: a homossexualidade.
Uma das conclusões da autora é a desconstrução do mito da objetividade da fotografia e do fotógrafo, afirmação recorrente no advento dessa técnica. Diante da pintura, a fotografia era tida como descrição exata da realidade a ponto de garantir registros objetivos à medicina, de acordo com a pesquisa.
“Essa objetividade é aparente, a fotografia é composta de escolhas do fotógrafo: onde os objetos serão colocados, quais lentes serão usadas, qual será o cenário, entre outros”, disse. Em todo o material fotográfico analisado está presente a tensão anormalidade/diverso e normalidade/identidade ligados à representação do “louco”.
Esse aspecto foi relembrado por ela e associado às ideias do filósofo francês Michel Foucault, para quem a loucura seria o campo de exclusão social do diverso. A exclusão estaria associada ao advento das cidades, segundo Tatiana. “As cidades exigiram indivíduos muito bem comportados e isolaram quem não se enquadrava em seus padrões, como leprosos, prostitutas e loucos”, disse.
No entanto, ao contrário de outros estigmas, a loucura poderia ser aplicada a qualquer um. Por isso, foi muito usada como instrumento de poder. “Com diagnósticos subjetivos, qualquer comportamento fora dos padrões vigentes poderia ser diagnosticado como loucura”, disse Tatiana. Como exemplo, cita uma mulher internada como louca no Hospital Pedro II, no início do século passado, porque resolveu dissolver o casamento logo após a noite de núpcias.
De acordo com a orientadora de Tatiana, a professora Cláudia Valladão de Mattos, do Departamento de Artes Plásticas da Unicamp, um sinal da qualidade do trabalho foi a sua grande receptividade em instituições internacionais.
“Em países como França e Alemanha, com forte tradição artística, a pesquisa de Tatiana teve uma ótima receptividade”, disse a professora, explicando que o trabalho foi aceito em todos os eventos europeus em que se inscreveu.
“Eles têm muito interesse em conhecer dados sobre o Brasil. O material reunido por Tatiana é considerado raro e importante para a comparação com estudos similares feitos em instituições de tratamento europeias”, disse.
O interesse estrangeiro pelo trabalho ficou evidente durante os dez meses da pesquisa que Tatiana passou na Inglaterra na Wellcome Trust for the History of Medicine da University College London, período no qual contou com bolsa de doutorado com estágio no exterior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Cláudia também destaca o aspecto interdisciplinar da tese que envolveu arte, história e a medicina psiquiátrica. “A tese também é importante para a história da arte, e abre um campo enorme a ser investigado”, disse.
Tatiana pretende continuar a pesquisa por meio de um pós-doutorado. Dessa vez, quer analisar imagens de vídeo de doentes mentais. “Durante a pesquisa entrei em contato com um material muito grande que pretendo aproveitar agora estudando as imagens em movimento”, disse.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Mata Bicho
O Lira matava o bicho,
inda mal se via o dia
e acabava por capricho
quando um outro já nascia.
De manhã, o bagacito
com o dito pão de milho
à tarde era pão e vinho
quartilho atrás de quartilho.
E o Lira tinha razão:
com bagaço, vinho e pão
à mesa e à cabeceira
Levou a vida, a brincar
e a morte veio-o buscar
levou uma bebedeira.
Os versos são autoria de: Rodela
inda mal se via o dia
e acabava por capricho
quando um outro já nascia.
De manhã, o bagacito
com o dito pão de milho
à tarde era pão e vinho
quartilho atrás de quartilho.
E o Lira tinha razão:
com bagaço, vinho e pão
à mesa e à cabeceira
Levou a vida, a brincar
e a morte veio-o buscar
levou uma bebedeira.
Os versos são autoria de: Rodela
quinta-feira, 25 de março de 2010
PORTUGUÊS! Custa a acreditar...!
Um caso urgente para os linguistas...!
Relatório de árbitro (verídico)
"O jogador da equipa visitada, Micolli, desmandou-se em velocidade tentando desobstruir-se no intuito de desfeitear o guarda-redes visitante. Um adversário à ilharga procurou desisolá-lo, desacelerando-o com auxílio à utilização indevida dos membros superiores, o que conseguiu. O jogador Micolli procurou destravar-se com recurso a movimentos tendentes à prosecução de uma situação de desaperto mas o adversário não o desagarrava. Quando finalmente atingiu o desimpedimento desenlargando-se, destemperou-se e tentou tirar desforço, amandando-lhe o membro superior direito à zona do externo, felizmente desacertando-lhe. Derivado a esta atitude, demonstrei-lhe a cartolina correspectiva."
Extracto do relatório do árbitro Carlos Xistra relativo à apresentação do cartão amarelo ao jogador Micolli do Benfica.
Começa a perceber-se porque é que não são públicos estes relatórios...
É por estas e por outras coisas, que o nosso futebol anda tão por baixo e tão desacreditado!!!
Relatório de árbitro (verídico)
"O jogador da equipa visitada, Micolli, desmandou-se em velocidade tentando desobstruir-se no intuito de desfeitear o guarda-redes visitante. Um adversário à ilharga procurou desisolá-lo, desacelerando-o com auxílio à utilização indevida dos membros superiores, o que conseguiu. O jogador Micolli procurou destravar-se com recurso a movimentos tendentes à prosecução de uma situação de desaperto mas o adversário não o desagarrava. Quando finalmente atingiu o desimpedimento desenlargando-se, destemperou-se e tentou tirar desforço, amandando-lhe o membro superior direito à zona do externo, felizmente desacertando-lhe. Derivado a esta atitude, demonstrei-lhe a cartolina correspectiva."
Extracto do relatório do árbitro Carlos Xistra relativo à apresentação do cartão amarelo ao jogador Micolli do Benfica.
Começa a perceber-se porque é que não são públicos estes relatórios...
É por estas e por outras coisas, que o nosso futebol anda tão por baixo e tão desacreditado!!!
quarta-feira, 24 de março de 2010
O maior grau de conhecimento filosófico na Europa e no Mundo
Os mais cultos da Europa
Isto sim; é motivo de orgulho!!!!!
PARA AUMENTAR A NOSSA AUTO-ESTIMA
O EUROSTAT CONCLUIU, ATRAVÉS DE UM INQUÉRITO A MAIS DE 100 MILHÕES DE CIDADÃOS EUROPEUS, QUE OS PORTUGUESES ERAM OS MAIS ENTENDIDOS EM FILOSOFIA E POR UMA LARGA DISTÂNCIA.
90% dos portugueses afirmam conhecer Sócrates e a sua obra.
Destes 90%, mais de metade diz que Sócrates influenciou directamente a sua vida.
Há ainda quem no inquérito manifeste opiniões apaixonadas (do tipo "ESSE GAJO É UM FILHO DA PUTA", ou "EU QUERO QUE ESSE CABRÃO VÁ LEVAR NA PEIDA" ou ainda "HÁ QUEM DIGA QUE O GAJO ABAFA A PALHINHA"),
o que levou o EUROSTAT a afirmar, em nota de rodapé, que
'OS PORTUGUESES, ALÉM DE MOSTRAREM UMA CULTURA ACIMA DA MÉDIA EUROPEIA, REVELAM UM ALTO SENTIDO CRÍTICO E INTERVENTIVO NAS QUESTÕES FILOSÓFICAS
Isto sim; é motivo de orgulho!!!!!
PARA AUMENTAR A NOSSA AUTO-ESTIMA
O EUROSTAT CONCLUIU, ATRAVÉS DE UM INQUÉRITO A MAIS DE 100 MILHÕES DE CIDADÃOS EUROPEUS, QUE OS PORTUGUESES ERAM OS MAIS ENTENDIDOS EM FILOSOFIA E POR UMA LARGA DISTÂNCIA.
90% dos portugueses afirmam conhecer Sócrates e a sua obra.
Destes 90%, mais de metade diz que Sócrates influenciou directamente a sua vida.
Há ainda quem no inquérito manifeste opiniões apaixonadas (do tipo "ESSE GAJO É UM FILHO DA PUTA", ou "EU QUERO QUE ESSE CABRÃO VÁ LEVAR NA PEIDA" ou ainda "HÁ QUEM DIGA QUE O GAJO ABAFA A PALHINHA"),
o que levou o EUROSTAT a afirmar, em nota de rodapé, que
'OS PORTUGUESES, ALÉM DE MOSTRAREM UMA CULTURA ACIMA DA MÉDIA EUROPEIA, REVELAM UM ALTO SENTIDO CRÍTICO E INTERVENTIVO NAS QUESTÕES FILOSÓFICAS
sexta-feira, 19 de março de 2010
TRETA DE ELITES, ELITES DA TRETA
Hoje, ao almoço, ouvi no restaurante que “chegamos a um estado em que a única alternativa capaz a este governo é o de um grupo de generais ou, se não houver generais, de coronéis”… Uns minutos depois, arranjei modo de ver a cara do autor da afirmação: menos de 50 anos, urbano, profissional, algum poder de compra. Fiquei a tarde a pensar como foi possível, em pouco mais de três décadas e apenas com uma mudança de geração, o regime e a sua classe política terem-se estiolado a este ponto. Até perderem a capacidade de gerar alternativas à altura do que as circunstâncias exigem. Que treta de elites!
“In Claro – José Mateus Silva”
“In Claro – José Mateus Silva”
quinta-feira, 11 de março de 2010
Complexidade natural
Agência FAPESP – Como átomos e moléculas se reúnem para formar aglomerados intrincados é algo que há muito tempo tem chamado a atenção de cientistas. O interesse é grande, pois desvendar os segredos dos designs da natureza permitiria um desenvolvimento ímpar na engenharia de sistemas artificiais.
Em artigo na edição da revista Science, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, desvendam algumas pistas de como e por que grupos de átomos e moléculas adotam formas e padrões menos simétricos e, ao mesmo tempo, geometricamente mais complexos e flexíveis.
A resposta está relacionada a um conceito familiar na física: a entropia. Os pesquisadores, liderados por Vinothan Manoharan e Michael Brenner, tomaram como ponto de partida do estudo brinquedos de montar compostos por peças magnéticas no qual bastões e esferas são reunidos em formas geométricas.
Na pesquisa, o grupo usou partículas coloidais – uma suspensão química comum em alimentos semi-sólidos como maionese – para simular o comportamento de aglomeração de átomos e moléculas.
“Para permitir a formação de aglomerados, colocamos algumas minúsculas esferas de poliestireno em túneis cilíndricos microscópicos cheios de água. As partículas agiram como esferas ‘grudentas’ e naturalmente se reuniram da mesma forma como as moléculas e átomos fazem”, disse Manoharan.
Os pesquisadores esperavam a formação de desenhos mais simples e altamente simétricos, mas dois fenômenos relacionados se manifestaram quando o número de partículas usado no experimento chegou a seis ou passou de nove.
Seis partículas podem formar um octaedro simétrico e um mais complexo tritetraedro. Em termos de estrutura química, cada um dos desenhos resulta em 12 arestas e na mesma quantidade de energia potencial.
Como a energia potencial era igual, Manoharan e colegas acharam que as duas formas ocorreriam na mesma proporção. Mas, para surpresa deles, o tritetraedro ocorreu 20 vezes mais frequentemente do que o octaedro.
“A única explicação possível para isso é a entropia. A maioria das pessoas acha que entropia é uma medida de ‘desordem’, mas sua definição mais adequada é simplesmente o número de maneiras diferentes na qual um punhado de partículas se agrupa”, disse o cientista.
Como o número de estruturas possíveis com nove partículas ou mais é muito extenso, os pesquisadores se centraram nas chamadas estruturas flexíveis. A ausência de rigidez ocorre quando um aglomerado tem a metade de um octaedro que divide pelo menos um vértice, permitindo que o agrupamento gire sem quebrar e forme outra aresta – algo facilmente observável nas peças magnéticas de montar.
“Como podem se mover de maneira flexívei, os aglomerados não rígidos têm alta entropia vibracional. Em casos com nove ou mais partículas, os aglomerados simétricos não aparecem tão frequentemente devido à entropia rotacional. A capacidade de rotacionar é útil, uma vez que permite que os aglomerados tenham arestas extras”, explicou Manoharan.
Como regra geral, os pesquisadores verificaram que, para todos os aglomerados de até oito partículas e para um determinado número de estruturas com até 12 partículas, as estruturas mais simétricas ocorreram com menos frequência.
O artigo The free-energy landscape of clusters of attractive hard spheres (10.1126/science.1181263), de Michael Brenner e outros, pode ser lido na Science em www.sciencemag.org.
Em artigo na edição da revista Science, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, desvendam algumas pistas de como e por que grupos de átomos e moléculas adotam formas e padrões menos simétricos e, ao mesmo tempo, geometricamente mais complexos e flexíveis.
A resposta está relacionada a um conceito familiar na física: a entropia. Os pesquisadores, liderados por Vinothan Manoharan e Michael Brenner, tomaram como ponto de partida do estudo brinquedos de montar compostos por peças magnéticas no qual bastões e esferas são reunidos em formas geométricas.
Na pesquisa, o grupo usou partículas coloidais – uma suspensão química comum em alimentos semi-sólidos como maionese – para simular o comportamento de aglomeração de átomos e moléculas.
“Para permitir a formação de aglomerados, colocamos algumas minúsculas esferas de poliestireno em túneis cilíndricos microscópicos cheios de água. As partículas agiram como esferas ‘grudentas’ e naturalmente se reuniram da mesma forma como as moléculas e átomos fazem”, disse Manoharan.
Os pesquisadores esperavam a formação de desenhos mais simples e altamente simétricos, mas dois fenômenos relacionados se manifestaram quando o número de partículas usado no experimento chegou a seis ou passou de nove.
Seis partículas podem formar um octaedro simétrico e um mais complexo tritetraedro. Em termos de estrutura química, cada um dos desenhos resulta em 12 arestas e na mesma quantidade de energia potencial.
Como a energia potencial era igual, Manoharan e colegas acharam que as duas formas ocorreriam na mesma proporção. Mas, para surpresa deles, o tritetraedro ocorreu 20 vezes mais frequentemente do que o octaedro.
“A única explicação possível para isso é a entropia. A maioria das pessoas acha que entropia é uma medida de ‘desordem’, mas sua definição mais adequada é simplesmente o número de maneiras diferentes na qual um punhado de partículas se agrupa”, disse o cientista.
Como o número de estruturas possíveis com nove partículas ou mais é muito extenso, os pesquisadores se centraram nas chamadas estruturas flexíveis. A ausência de rigidez ocorre quando um aglomerado tem a metade de um octaedro que divide pelo menos um vértice, permitindo que o agrupamento gire sem quebrar e forme outra aresta – algo facilmente observável nas peças magnéticas de montar.
“Como podem se mover de maneira flexívei, os aglomerados não rígidos têm alta entropia vibracional. Em casos com nove ou mais partículas, os aglomerados simétricos não aparecem tão frequentemente devido à entropia rotacional. A capacidade de rotacionar é útil, uma vez que permite que os aglomerados tenham arestas extras”, explicou Manoharan.
Como regra geral, os pesquisadores verificaram que, para todos os aglomerados de até oito partículas e para um determinado número de estruturas com até 12 partículas, as estruturas mais simétricas ocorreram com menos frequência.
O artigo The free-energy landscape of clusters of attractive hard spheres (10.1126/science.1181263), de Michael Brenner e outros, pode ser lido na Science em www.sciencemag.org.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Os submarinos
A empresa alemã Man Ferrostaal, que gere o cumprimento das contrapartidas a Portugal pela compra de dois submarinos, naquela mais do que famosa negociata em suaves prestacões do Portas, propôs a Portugal "dividir sensivelmente ao meio" uma verba de 207 milhões de euros que a Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC) alega "ter sido contabilizada a mais" pelos alemães.
Hummm... a mais!!!
A Ferrostaal "aceitava assim acrescentar 100 milhões de euros às obrigações de contrapartidas do consórcio alemão" e foi apresentada em Julho passado à CPC.
Até aqui cheira a esturro... e o que cheira a esturro é porque queimou!!!!
Hummm... a mais!!!
A Ferrostaal "aceitava assim acrescentar 100 milhões de euros às obrigações de contrapartidas do consórcio alemão" e foi apresentada em Julho passado à CPC.
Até aqui cheira a esturro... e o que cheira a esturro é porque queimou!!!!
sexta-feira, 5 de março de 2010
Festejar o Natal
Como Leão, este ano não festejei o Natal porque Jesus é do Benfica...
Só o farei na Páscoa quando ele for crucificado!
Só o farei na Páscoa quando ele for crucificado!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Fábula dos capitalistas sem capital
Américo Amorim diz que o futuro da estrutura accionista da Galp "é tabu". Outros poderão dizer o mesmo da Cimpor. Do BCP. Da Brisa. Até da EDP, da PT, da Zon, da Impresa. Personagens do conto dos capitalistas sem capital, como lhes chamou Fernando Ulrich.
Os analistas chamam-lhe "ângulo especulativo" e colam o rótulo à Cimpor, ao BCP, à Galp e à Brisa. Empresas que, pela vulnerabilidade accionista, podem ser alvos de ofertas de aquisição. Na Cimpor, o vaticínio já se concretizou.
Em todas encontramos minorias portuguesas em equilíbrios instáveis com rivais estrangeiros. Muitos entraram a convite. Não saem nem ao pontapé. E fazem bem.
O truque da década de Amorim foi convencer Portugal de que é dono da Galp. Não é: tem, indirectamente, menos de 14% da empresa, menos que os angolanos da Sonangol, muito menos do que têm os italianos da Eni. O equilíbrio é garantido por um acordo parassocial que atribui super-poderes à Caixa. Mas essa poção mágica é de duração limitada: já este ano termina o período de indisponibilidade de acções. Italianos podem vender se o preço for bom, angolanos podem comprar, brasileiros podem espreitar. E Amorim? Tabu.
Quando se confessou saturado dos capitalistas sem capital, Ulrich estaria a referir-se a accionistas altamente financiados por bancos muito amigos, que entraram em empresas com a delicadeza com que um cowboy pontapeia as portas gémeas de um "saloon". À saída, só tinham dívidas. Berardo, Teixeira Duarte, Manuel Fino, Joaquim Oliveira e outros que povoam as páginas deste jornal.
Muitas empresas portuguesas vivem na circunstância da falta de capital de quem lá manda. Uns, como a Cimpor ou o BCP, por estarem nas mãos dos bancos. Outros porque os "donos" têm cascatas de participações que partem de pequenos caudais. É o caso de Amorim na Galp. Ou da minoritária família Mello na Brisa. Até da família Espírito Santo no BES, onde terá menos de 20%.
Em cada uma destas empresas há accionistas estrangeiros em quem os portugueses não confiam nem para passar numa passadeira. A Lafarge na Cimpor, a Eni na Galp (e, um dia, talvez a própria Sonangol), a Abertis na Brisa, a Telefónica na PT, a Iberdrola na EDP, o Credit Agricole no BES.
Em alguns casos, as entradas foram pouco amigáveis e são um travão do concorrente-accionista à expansão da empresa portuguesa. Noutros, essas empresas foram convidadas. É o caso da Lafarge, que entrou na Cimpor a pedido da Teixeira Duarte, que hoje a apelida de "inimigo número 1". Ou da Eni, que entrou pela mão do Governo e hoje é boneco de "voodoo" na mesa de outros accionistas.
O assalto à Cimpor, o tabu da Galp, a espinha nas gargantas da EDP e da PT, a ameaça latente na Brisa ou a iminência do nada no BCP são provas suficientes: quem não tem capital e escolhe accionistas pela carteira fica refém das suas próprias opções. Querer correr com eles depois por causa do sotaque e chamar os bombeiros da Caixa não é mais que instinto primário de protecção.
Os esquemas de controlo das maiores empresas portuguesas são proteccionistas, complexos e inteligentes. Pudera. No prodigioso "O Homem que era Quinta-Feira", Chesterton conta como um espião que se faz passar por homem rico é desmascarado: defendia o capitalismo com tanta inteligência que toda a gente percebeu que ele tinha de ser pobre.
“Pedro Santos Guerreiro”
Os analistas chamam-lhe "ângulo especulativo" e colam o rótulo à Cimpor, ao BCP, à Galp e à Brisa. Empresas que, pela vulnerabilidade accionista, podem ser alvos de ofertas de aquisição. Na Cimpor, o vaticínio já se concretizou.
Em todas encontramos minorias portuguesas em equilíbrios instáveis com rivais estrangeiros. Muitos entraram a convite. Não saem nem ao pontapé. E fazem bem.
O truque da década de Amorim foi convencer Portugal de que é dono da Galp. Não é: tem, indirectamente, menos de 14% da empresa, menos que os angolanos da Sonangol, muito menos do que têm os italianos da Eni. O equilíbrio é garantido por um acordo parassocial que atribui super-poderes à Caixa. Mas essa poção mágica é de duração limitada: já este ano termina o período de indisponibilidade de acções. Italianos podem vender se o preço for bom, angolanos podem comprar, brasileiros podem espreitar. E Amorim? Tabu.
Quando se confessou saturado dos capitalistas sem capital, Ulrich estaria a referir-se a accionistas altamente financiados por bancos muito amigos, que entraram em empresas com a delicadeza com que um cowboy pontapeia as portas gémeas de um "saloon". À saída, só tinham dívidas. Berardo, Teixeira Duarte, Manuel Fino, Joaquim Oliveira e outros que povoam as páginas deste jornal.
Muitas empresas portuguesas vivem na circunstância da falta de capital de quem lá manda. Uns, como a Cimpor ou o BCP, por estarem nas mãos dos bancos. Outros porque os "donos" têm cascatas de participações que partem de pequenos caudais. É o caso de Amorim na Galp. Ou da minoritária família Mello na Brisa. Até da família Espírito Santo no BES, onde terá menos de 20%.
Em cada uma destas empresas há accionistas estrangeiros em quem os portugueses não confiam nem para passar numa passadeira. A Lafarge na Cimpor, a Eni na Galp (e, um dia, talvez a própria Sonangol), a Abertis na Brisa, a Telefónica na PT, a Iberdrola na EDP, o Credit Agricole no BES.
Em alguns casos, as entradas foram pouco amigáveis e são um travão do concorrente-accionista à expansão da empresa portuguesa. Noutros, essas empresas foram convidadas. É o caso da Lafarge, que entrou na Cimpor a pedido da Teixeira Duarte, que hoje a apelida de "inimigo número 1". Ou da Eni, que entrou pela mão do Governo e hoje é boneco de "voodoo" na mesa de outros accionistas.
O assalto à Cimpor, o tabu da Galp, a espinha nas gargantas da EDP e da PT, a ameaça latente na Brisa ou a iminência do nada no BCP são provas suficientes: quem não tem capital e escolhe accionistas pela carteira fica refém das suas próprias opções. Querer correr com eles depois por causa do sotaque e chamar os bombeiros da Caixa não é mais que instinto primário de protecção.
Os esquemas de controlo das maiores empresas portuguesas são proteccionistas, complexos e inteligentes. Pudera. No prodigioso "O Homem que era Quinta-Feira", Chesterton conta como um espião que se faz passar por homem rico é desmascarado: defendia o capitalismo com tanta inteligência que toda a gente percebeu que ele tinha de ser pobre.
“Pedro Santos Guerreiro”
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Mapas a partir do chão
Por Fabio Reynol
Agência FAPESP – Aviões e satélites deixaram mais fácil um antigo trabalho da humanidade, a cartografia. Ao mesmo tempo, essas tecnologias também encareceram a atividade. Por conta disso, cientistas norte-americanos desenvolveram na década de 1980 um meio de traçar mapas a partir de veículos terrestres.
A inovação levou o professor João Fernando Custódio da Silva, do Departamento de Cartografia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Presidente Prudente, a um pós-doutorado na Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, na década de 1990.
De volta ao Brasil, Custódio ajudou a criar, em 1997, o Laboratório de Mapeamento Móvel (Lammov), a fim de desenvolver uma tecnologia nacional do tipo. O sistema de mapeamento móvel consiste, basicamente, em equipamentos de localização e de captação de imagens acoplados a um automóvel.
Duas câmeras fotográficas digitais são utilizadas como filmadoras e afixadas em cima do veículo, apontadas para a frente. Entre elas, um GPS registra as coordenadas geográficas, e um terceiro equipamento, o sistema de navegação inercial (INS), estabelece o referencial da posição das câmeras em relação a um ponto fixo.
São necessárias duas câmeras para que possibilitar os cálculos de triangulação, que posicionam e dimensionam os objetos filmados. No veículo ainda vão dispositivos de conexão dos aparelhos e um computador portátil para rodar os softwares que coordenam a operação.
“Parte do nosso trabalho foi desenvolver as interfaces entre esses aparelhos”, contou Custódio, que também criou com a sua equipe os softwares de interpretação e de processamento dos dados. O grupo da Unesp mapeou um bairro de Presidente Prudente com a tecnologia.
Atualmente, o desenvolvimento do trabalho está sendo feito dentro da empresa Cartovias, criada por um ex-orientando de Custódio, o engenheiro cartógrafo Rodrigo Bezerra de Araújo Gallis. O projeto tem apoio da FAPESP por meio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e colaboração de Custódio e de sua equipe na Unesp.
A Cartovias nasceu do envolvimento de Gallis com o mapeamento móvel. O engenheiro começou a pesquisar essa tecnologia em 1999, durante sua iniciação científica, na qual contou com Bolsa da FAPESP. Os estudos continuaram na pós-graduação e, após o doutorado, ele decidiu aprimorar o projeto. A Cartovias é uma das empresas residentes da Incubadora Tecnológica de Presidente Prudente (Intepp), mantida pela Unesp com outras instituições parceiras.
O projeto agora espera a chegada de duas câmeras fotográficas digitais profissionais, que estão em processo de importação. Elas serão utilizadas como filmadoras acopladas no teto de um automóvel. “Usaremos resolução de cerca de 12 megapixels. Acima disso, as imagens saem com trepidação”, explicou Gallis.
A aquisição de equipamentos, de acordo com o professor Custódio, é mais fácil em outros países devido à participação mais ativa das empresas de eletrônicos. “Nos Estados Unidos, por exemplo, a fabricante da máquina fotográfica leva o seu novo produto para a universidade testar. Aqui isso não ocorre”, lamenta.
Instaladas no carro, as câmeras do projeto Sistema de Mapeamento Móvel (Simmov) coletarão dados cartográficos que depois serão transformados em mapas no laboratório. “A diferença básica entre o levantamento aéreo e o terrestre é a perspectiva das imagens”, disse Gallis, destacando que ambos permitem precisão de centímetros.
Custódio explica que os processos são complementares. “Em imagens aéreas não dá para saber o que está embaixo da copa de uma árvore, assim como não dá para ver o interior de um quarteirão somente com o mapeamento móvel”, disse.
Detector de buracos
O professor da Unesp trabalha agora em mais um equipamento para integrar o sistema. Trata-se de um projetor de laser cujo desenvolvimento também conta com apoio da FAPESP, por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.
No projetor, dois fachos perpendiculares são apontados para o solo e executam a leitura das imperfeições da superfície. O intuito é fazer um levantamento detalhado de buracos, trincas e demais irregularidades com grande precisão a fim de auxiliar o trabalho de serviços municipais ou o de administradores de estradas.
O novo equipamento ainda será montado e testado no veículo protótipo da Cartovias. No futuro, o pesquisador pretende substituir os dois fachos fixos por lasers de varredura, que ainda não foram empregados devido ao alto preço.
Apesar de existir outros equipamentos de mapeamento móvel no Brasil, poucos utilizam o sistema de navegação inercial, encontrado somente em mapeamento aéreo. A presença do INS no solo garante resultados mais rápidos, segundo os pesquisadores, uma vez que ele traz dados mais completos, economizando várias etapas do processamento de dados.
“O mapeamento móvel permite uma captação de dados bem rápida (5% do tempo de todo o processo). Além disso, funciona em qualquer via que permita o acesso de automóveis abrindo múltiplas perspectivas de aplicação”, disse Gallis.
Por ser mais econômico que os mapeamentos aéreos e por satélite, os móveis poderão ser largamente empregados por prefeituras, empresas de telefonia, eletricidade, água e esgoto e qualquer instituição que atue com geoprocessamento.
Agência FAPESP – Aviões e satélites deixaram mais fácil um antigo trabalho da humanidade, a cartografia. Ao mesmo tempo, essas tecnologias também encareceram a atividade. Por conta disso, cientistas norte-americanos desenvolveram na década de 1980 um meio de traçar mapas a partir de veículos terrestres.
A inovação levou o professor João Fernando Custódio da Silva, do Departamento de Cartografia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Presidente Prudente, a um pós-doutorado na Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, na década de 1990.
De volta ao Brasil, Custódio ajudou a criar, em 1997, o Laboratório de Mapeamento Móvel (Lammov), a fim de desenvolver uma tecnologia nacional do tipo. O sistema de mapeamento móvel consiste, basicamente, em equipamentos de localização e de captação de imagens acoplados a um automóvel.
Duas câmeras fotográficas digitais são utilizadas como filmadoras e afixadas em cima do veículo, apontadas para a frente. Entre elas, um GPS registra as coordenadas geográficas, e um terceiro equipamento, o sistema de navegação inercial (INS), estabelece o referencial da posição das câmeras em relação a um ponto fixo.
São necessárias duas câmeras para que possibilitar os cálculos de triangulação, que posicionam e dimensionam os objetos filmados. No veículo ainda vão dispositivos de conexão dos aparelhos e um computador portátil para rodar os softwares que coordenam a operação.
“Parte do nosso trabalho foi desenvolver as interfaces entre esses aparelhos”, contou Custódio, que também criou com a sua equipe os softwares de interpretação e de processamento dos dados. O grupo da Unesp mapeou um bairro de Presidente Prudente com a tecnologia.
Atualmente, o desenvolvimento do trabalho está sendo feito dentro da empresa Cartovias, criada por um ex-orientando de Custódio, o engenheiro cartógrafo Rodrigo Bezerra de Araújo Gallis. O projeto tem apoio da FAPESP por meio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e colaboração de Custódio e de sua equipe na Unesp.
A Cartovias nasceu do envolvimento de Gallis com o mapeamento móvel. O engenheiro começou a pesquisar essa tecnologia em 1999, durante sua iniciação científica, na qual contou com Bolsa da FAPESP. Os estudos continuaram na pós-graduação e, após o doutorado, ele decidiu aprimorar o projeto. A Cartovias é uma das empresas residentes da Incubadora Tecnológica de Presidente Prudente (Intepp), mantida pela Unesp com outras instituições parceiras.
O projeto agora espera a chegada de duas câmeras fotográficas digitais profissionais, que estão em processo de importação. Elas serão utilizadas como filmadoras acopladas no teto de um automóvel. “Usaremos resolução de cerca de 12 megapixels. Acima disso, as imagens saem com trepidação”, explicou Gallis.
A aquisição de equipamentos, de acordo com o professor Custódio, é mais fácil em outros países devido à participação mais ativa das empresas de eletrônicos. “Nos Estados Unidos, por exemplo, a fabricante da máquina fotográfica leva o seu novo produto para a universidade testar. Aqui isso não ocorre”, lamenta.
Instaladas no carro, as câmeras do projeto Sistema de Mapeamento Móvel (Simmov) coletarão dados cartográficos que depois serão transformados em mapas no laboratório. “A diferença básica entre o levantamento aéreo e o terrestre é a perspectiva das imagens”, disse Gallis, destacando que ambos permitem precisão de centímetros.
Custódio explica que os processos são complementares. “Em imagens aéreas não dá para saber o que está embaixo da copa de uma árvore, assim como não dá para ver o interior de um quarteirão somente com o mapeamento móvel”, disse.
Detector de buracos
O professor da Unesp trabalha agora em mais um equipamento para integrar o sistema. Trata-se de um projetor de laser cujo desenvolvimento também conta com apoio da FAPESP, por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.
No projetor, dois fachos perpendiculares são apontados para o solo e executam a leitura das imperfeições da superfície. O intuito é fazer um levantamento detalhado de buracos, trincas e demais irregularidades com grande precisão a fim de auxiliar o trabalho de serviços municipais ou o de administradores de estradas.
O novo equipamento ainda será montado e testado no veículo protótipo da Cartovias. No futuro, o pesquisador pretende substituir os dois fachos fixos por lasers de varredura, que ainda não foram empregados devido ao alto preço.
Apesar de existir outros equipamentos de mapeamento móvel no Brasil, poucos utilizam o sistema de navegação inercial, encontrado somente em mapeamento aéreo. A presença do INS no solo garante resultados mais rápidos, segundo os pesquisadores, uma vez que ele traz dados mais completos, economizando várias etapas do processamento de dados.
“O mapeamento móvel permite uma captação de dados bem rápida (5% do tempo de todo o processo). Além disso, funciona em qualquer via que permita o acesso de automóveis abrindo múltiplas perspectivas de aplicação”, disse Gallis.
Por ser mais econômico que os mapeamentos aéreos e por satélite, os móveis poderão ser largamente empregados por prefeituras, empresas de telefonia, eletricidade, água e esgoto e qualquer instituição que atue com geoprocessamento.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Um País cada vez mais POBRE mas com gente RICA……
Mais um pobrezinho de um reformado
SUGIRO A QUE SE SENTEM BEM, ANTES DE LEREM ISTO!!!!
VIV'Ó REGABOFE
Mau grado o voto de pobreza a que a Ordem Franciscana obriga, Frei Vítor Melícias, recebe uma modesta reforma de € 7450!!!!! Será que a entrega direitinha à Ordem Franciscana e a distribui pelos mais necessitados???? De certeza que sim...eheheheheh
Padre Melícias com pensão de 7450 euros
O padre Vítor Melícias, ex-alto comissário para Timor-Leste e ex-presidente do Montepio Geral, declarou ao Tribunal Constitucional, como membro do Conselho Económico e Social (CES), um rendimento anual de pensões de, e só,
104 301 euros.
Em 14 meses, o sacerdote, que prestou um voto de obediência à Ordem dos Franciscanos, tem uma pensão mensal de 7450 euros. O valor desta aposentação resulta, segundo disse ao CM Vítor Melícias, da "remuneração acima da média" auferida em vários cargos.
Vítor Melícias entregou a declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional em 2 de Fevereiro de 2009, mais de um ano após a instituição presidida por Rui Moura Ramos ter clarificado a interpretação da lei que controla a riqueza dos titulares de cargos políticos.
A 15 de Janeiro de 2008, o Tribunal Constitucional deixou claro que, ao abrigo da lei 25/95, 'de entre os membros que compõem o CES, se encontram vinculados ao referido dever [de entrega da declaração de rendimentos] aqueles que integrem o Conselho Coordenador e a Comissão Permanente de Concertação Social, bem como o secretário-geral'.
Com 71 anos, Vítor Melícias declarou, em 2007, ao Tribunal Constitucional um rendimento total de 111 491 euros, dos quais 104 301 euros de pensões e 7190 euros de trabalho dependente.
'Eu tenho uma pensão aceitável mas não sou rico', diz o sacerdote.
Melícias frisa que exerceu funções com 'remuneração acima da média, que corresponde a uma responsabilidade acima de director-geral', no Montepio Geral, na Misericórdia de Lisboa, no Serviço Nacional de Bombeiros e noutros organismos.
E eu a julgar que esta gente praticava o “espírito de missão” e o “trabalho de voluntariado”???!!! Chiça penico!
Pois é, esta gente da Igreja nunca me enganou!!!
Já têm mais de 2000 anos de experiência….
Razão tinha o S. Pedro quando um dia espreitando cá para baixo, viu um avião de luxo, todo branco com o Papa lá dentro e exclamou: vejam só como o negócio evoluiu, começou com um burro…
Mais um pobrezinho de um reformado
SUGIRO A QUE SE SENTEM BEM, ANTES DE LEREM ISTO!!!!
VIV'Ó REGABOFE
Mau grado o voto de pobreza a que a Ordem Franciscana obriga, Frei Vítor Melícias, recebe uma modesta reforma de € 7450!!!!! Será que a entrega direitinha à Ordem Franciscana e a distribui pelos mais necessitados???? De certeza que sim...eheheheheh
Padre Melícias com pensão de 7450 euros
O padre Vítor Melícias, ex-alto comissário para Timor-Leste e ex-presidente do Montepio Geral, declarou ao Tribunal Constitucional, como membro do Conselho Económico e Social (CES), um rendimento anual de pensões de, e só,
104 301 euros.
Em 14 meses, o sacerdote, que prestou um voto de obediência à Ordem dos Franciscanos, tem uma pensão mensal de 7450 euros. O valor desta aposentação resulta, segundo disse ao CM Vítor Melícias, da "remuneração acima da média" auferida em vários cargos.
Vítor Melícias entregou a declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional em 2 de Fevereiro de 2009, mais de um ano após a instituição presidida por Rui Moura Ramos ter clarificado a interpretação da lei que controla a riqueza dos titulares de cargos políticos.
A 15 de Janeiro de 2008, o Tribunal Constitucional deixou claro que, ao abrigo da lei 25/95, 'de entre os membros que compõem o CES, se encontram vinculados ao referido dever [de entrega da declaração de rendimentos] aqueles que integrem o Conselho Coordenador e a Comissão Permanente de Concertação Social, bem como o secretário-geral'.
Com 71 anos, Vítor Melícias declarou, em 2007, ao Tribunal Constitucional um rendimento total de 111 491 euros, dos quais 104 301 euros de pensões e 7190 euros de trabalho dependente.
'Eu tenho uma pensão aceitável mas não sou rico', diz o sacerdote.
Melícias frisa que exerceu funções com 'remuneração acima da média, que corresponde a uma responsabilidade acima de director-geral', no Montepio Geral, na Misericórdia de Lisboa, no Serviço Nacional de Bombeiros e noutros organismos.
E eu a julgar que esta gente praticava o “espírito de missão” e o “trabalho de voluntariado”???!!! Chiça penico!
Pois é, esta gente da Igreja nunca me enganou!!!
Já têm mais de 2000 anos de experiência….
Razão tinha o S. Pedro quando um dia espreitando cá para baixo, viu um avião de luxo, todo branco com o Papa lá dentro e exclamou: vejam só como o negócio evoluiu, começou com um burro…
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Sopros da evolução
Agência FAPESP – Há mais em comum entre jacarés e aves do que a “limpeza” dos dentes feitas por esses últimos para extrair os restos de alimentos na boca dos répteis.
Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, descobriram que os répteis da família Alligatoridae, da qual fazem parte os aligatores norte-americanos e os jacarés sul-americanos, respiram de forma semelhante às aves. O estudo foi publicado na edição da revista Science
Os pesquisadores observaram que o ar nos pulmões de aligatores segue em um único sentido, e não em fluxos para dentro e para fora, em dois sentidos. Esse tipo de estrutura pulmonar tem sido geralmente considerado exclusivo de aves, que precisam de grandes quantidades de oxigênio enquanto voam.
O novo estudo sugere que esse método de respiração deve ter surgido na história evolucionária dos vertebrados em ancestrais comuns aos aligatores e aves. Isso teria ocorrido há mais de 246 milhões de anos com os primeiros répteis, ou arcossauros, grupo presente no período Triássico.
Collen Farmer e Kent Sanders analisaram os padrões de circulação de ar e água nos pulmões de aligatores norte-americanos, tanto em animais vivos como em pulmões extraídos e ventilados artificialmente. A dupla observou que o fluxo de ar no réptil é unidirecional e extremamente parecido com o encontrado nas aves.
Nos pulmões de humanos e de outros mamíferos, na inalação o ar se move por numerosas filas de passagens cada vez menores, os brônquios, até chegar a pequenas câmaras, os alvéolos, onde o oxigênio entra na circulação sanguínea e o dióxido de carbono se move do sangue para os pulmões, no sentido oposto.
Os pesquisadores não sabem como o aligator consegue respirar dessa forma sem os sacos aéreos comuns às aves. Segundo eles, o padrão teria surgido com os arcossauros e teria permanecido com seus descendentes, entre os quais os dinossauros, os crocodilianos e as aves.
Os autores do estudo sugerem que esse tipo de estrutura pulmonar pode ter dado a alguns dos primeiros grupos de arcossauros uma vantagem ao torná-los mais capazes de realizar movimentos vigorosos em período no qual a atmosfera tinha muito menos oxigênio do que atualmente.
O artigo Unidirectional airflow in the lungs of alligators (10.1126/science.1180219), de Collen Farmer e Kent Sanders e outros, pode ser lido na Science em www.sciencemag.org.
Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, descobriram que os répteis da família Alligatoridae, da qual fazem parte os aligatores norte-americanos e os jacarés sul-americanos, respiram de forma semelhante às aves. O estudo foi publicado na edição da revista Science
Os pesquisadores observaram que o ar nos pulmões de aligatores segue em um único sentido, e não em fluxos para dentro e para fora, em dois sentidos. Esse tipo de estrutura pulmonar tem sido geralmente considerado exclusivo de aves, que precisam de grandes quantidades de oxigênio enquanto voam.
O novo estudo sugere que esse método de respiração deve ter surgido na história evolucionária dos vertebrados em ancestrais comuns aos aligatores e aves. Isso teria ocorrido há mais de 246 milhões de anos com os primeiros répteis, ou arcossauros, grupo presente no período Triássico.
Collen Farmer e Kent Sanders analisaram os padrões de circulação de ar e água nos pulmões de aligatores norte-americanos, tanto em animais vivos como em pulmões extraídos e ventilados artificialmente. A dupla observou que o fluxo de ar no réptil é unidirecional e extremamente parecido com o encontrado nas aves.
Nos pulmões de humanos e de outros mamíferos, na inalação o ar se move por numerosas filas de passagens cada vez menores, os brônquios, até chegar a pequenas câmaras, os alvéolos, onde o oxigênio entra na circulação sanguínea e o dióxido de carbono se move do sangue para os pulmões, no sentido oposto.
Os pesquisadores não sabem como o aligator consegue respirar dessa forma sem os sacos aéreos comuns às aves. Segundo eles, o padrão teria surgido com os arcossauros e teria permanecido com seus descendentes, entre os quais os dinossauros, os crocodilianos e as aves.
Os autores do estudo sugerem que esse tipo de estrutura pulmonar pode ter dado a alguns dos primeiros grupos de arcossauros uma vantagem ao torná-los mais capazes de realizar movimentos vigorosos em período no qual a atmosfera tinha muito menos oxigênio do que atualmente.
O artigo Unidirectional airflow in the lungs of alligators (10.1126/science.1180219), de Collen Farmer e Kent Sanders e outros, pode ser lido na Science em www.sciencemag.org.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
E OS OUTROS...
A medida que o ocidente vai ficando mais ateísta, a crença em vida noutros planetas torna-se cada vez mais plausível (apesar de não haver evidências para tal). Quem subscreve a mitologia darwinista está mais susceptível a acreditar que, tal como a vida se originou no planeta Terra, ela deve-se ter originado noutros sítios do universo.
A chegada do Homem à Lua, em 1969, terá sido vista por uma testemunha inesperada: uma nave extraterrestre. Esta é a versão de Edwin ‘Buzz’ Aldrin, um dos astronautas que acompanhou Neil Armstrong durante a missão ‘Apollo 11’, que será publicada na próxima semana num livro da autoria do boliviano Eduardo Ascarrunz.
“É o segredo mais bem guardado da NASA”, salientou Ascarrunz, que obteve a revelação de Aldrin durante uma entrevista feita há 10 anos, embora só agora tenha decidido publicá-la, com aprovação do astronauta.
‘Buzz’ Aldrin foi o segundo homem a pisar solo lunar a 20 de Julho de 1969, poucos minutos depois de Armstrong, na missão em que também participou Michael Collins.
De acordo com a obra, os astronautas informaram o centro de controlo da NASA, em Houston (EUA), sobre uma suposta nave ‘semi-esférica’ que os escoltava desde a sua chegada à Lua.
“Aqui estamos os três... e eles estão aqui, perto da nossa nave... Encontrámos uns visitantes”, terá referido Armstrong para a base norte-americana.
Pedidos mais esclarecimentos a partir da Terra, Aldrin apoiou as palavras do seu colega: “Lá fora está outra nave espacial. Eles estão do outro lado da cratera”.
O astronauta informou também que não foi possível filmar o acontecimento porque nesse momento as câmaras estavam a fotografar outros objectos.
A revelação de Aldrin constata que poderemos co-existir com outros seres no Universo.
De acordo com Ascarrunz, a NASA terá escondido os acontecimentos para evitar que estes se sobrepusessem ao objectivo inicial da missão ‘Apollo 11’, chegar à Lua primeiro que a União Soviética.
“Mats”
A chegada do Homem à Lua, em 1969, terá sido vista por uma testemunha inesperada: uma nave extraterrestre. Esta é a versão de Edwin ‘Buzz’ Aldrin, um dos astronautas que acompanhou Neil Armstrong durante a missão ‘Apollo 11’, que será publicada na próxima semana num livro da autoria do boliviano Eduardo Ascarrunz.
“É o segredo mais bem guardado da NASA”, salientou Ascarrunz, que obteve a revelação de Aldrin durante uma entrevista feita há 10 anos, embora só agora tenha decidido publicá-la, com aprovação do astronauta.
‘Buzz’ Aldrin foi o segundo homem a pisar solo lunar a 20 de Julho de 1969, poucos minutos depois de Armstrong, na missão em que também participou Michael Collins.
De acordo com a obra, os astronautas informaram o centro de controlo da NASA, em Houston (EUA), sobre uma suposta nave ‘semi-esférica’ que os escoltava desde a sua chegada à Lua.
“Aqui estamos os três... e eles estão aqui, perto da nossa nave... Encontrámos uns visitantes”, terá referido Armstrong para a base norte-americana.
Pedidos mais esclarecimentos a partir da Terra, Aldrin apoiou as palavras do seu colega: “Lá fora está outra nave espacial. Eles estão do outro lado da cratera”.
O astronauta informou também que não foi possível filmar o acontecimento porque nesse momento as câmaras estavam a fotografar outros objectos.
A revelação de Aldrin constata que poderemos co-existir com outros seres no Universo.
De acordo com Ascarrunz, a NASA terá escondido os acontecimentos para evitar que estes se sobrepusessem ao objectivo inicial da missão ‘Apollo 11’, chegar à Lua primeiro que a União Soviética.
“Mats”
sábado, 16 de janeiro de 2010
Gays e conservadores
Este artigo é interessante porque revela que a questão do "casamento" homossexual é algo polémico mesmo dentro da comunidade homossexual. Isto é importante porque muitos secularistas querem catalogar os que se opõe ao "casamento" homossexual de "homofóbicos".
Se isso é assim, será que os homossexuais que se opõem ao "casamento" homossexual são também "homofóbicos"?
Nos anos noventa, nasceram os movimentos gays conservadores, que recusam a ideia de um casamento gay.
No princípio, nos anos setenta e oitenta, os movimentos gays tinham como prioridade o "direito à diferença" e a afirmação orgulhosa da sua identidade própria. O "sair do armário", a forma de vestir, as discotecas e as festas, foram as manifestações sociais de um grupo que queria afirmar a sua força política nas sociedades americana e europeia. E, é preciso reconhecê-lo, conseguiu atingir esse objectivo. A partir dessa época, a preferência sexual passou a ser característica distintiva de um ser humano, e geradora de direitos. Deixaram de existir apenas dois sexos, o masculino e o feminino, para passar a existir quatro categorias, homossexuais e heterossexuais para cada sexo. A ascensão da identidade sexual a característica essencial, equiparada à raça e à religião, foi a primeira grande vitória do movimento gay.
Contudo, o princípio orientador dessa guerra era a "diferença", e vencida a contenda, o movimento gay descobriu que demasiada diferença empurrava as suas comunidades para um gueto desagradável. Quando se divide o mundo em heteros e homos, a consequência é o aumento da distância entre as pessoas, uma espécie de apartheid social subtil, prejudicial para todos. E, com o passar dos anos, as paradas gays haviam-se transformado em extravagâncias, meio cómicas, meio patéticas, que prejudicavam a imagem do movimento gay.
Atentos, os líderes do movimento passaram à fase seguinte, a da luta pela "igualdade", cuja bandeira maior é o casamento civil. Numa importante inversão de valores, depois de lutarem pela diferença desejaram o regresso à igualdade, para fechar o ciclo e vencer a tal distância que se instalara entre as pessoas. Porém, e ao contrário do que se passou na "identidade", na polémica questão do casamento o movimento gay fracturou-se.
Nos anos noventa, na América e em Inglaterra, nasceram os movimentos gays conservadores, que recusam a ideia de um casamento gay. Ou seja, a "fractura" entre a esquerda e a direita rasga também o movimento, e não apenas o resto da sociedade.
Em Portugal, a luta gay tem sido sempre uma bandeira da esquerda radical, que tem no Bloco o seu motor. É evidente que o PS adoptou a causa por mera táctica oportuna, e o PCP já não tem paciência para a contrariar, como fez durante décadas. O que é pena é que os gays conservadores portugueses não apareçam, opondo-se ao casamento gay como fizeram os seus compadres lá fora. Nesta, como noutras questões, estamos ainda na idade da pedra.
Domingos Amaral, Director da GQ
Se isso é assim, será que os homossexuais que se opõem ao "casamento" homossexual são também "homofóbicos"?
Nos anos noventa, nasceram os movimentos gays conservadores, que recusam a ideia de um casamento gay.
No princípio, nos anos setenta e oitenta, os movimentos gays tinham como prioridade o "direito à diferença" e a afirmação orgulhosa da sua identidade própria. O "sair do armário", a forma de vestir, as discotecas e as festas, foram as manifestações sociais de um grupo que queria afirmar a sua força política nas sociedades americana e europeia. E, é preciso reconhecê-lo, conseguiu atingir esse objectivo. A partir dessa época, a preferência sexual passou a ser característica distintiva de um ser humano, e geradora de direitos. Deixaram de existir apenas dois sexos, o masculino e o feminino, para passar a existir quatro categorias, homossexuais e heterossexuais para cada sexo. A ascensão da identidade sexual a característica essencial, equiparada à raça e à religião, foi a primeira grande vitória do movimento gay.
Contudo, o princípio orientador dessa guerra era a "diferença", e vencida a contenda, o movimento gay descobriu que demasiada diferença empurrava as suas comunidades para um gueto desagradável. Quando se divide o mundo em heteros e homos, a consequência é o aumento da distância entre as pessoas, uma espécie de apartheid social subtil, prejudicial para todos. E, com o passar dos anos, as paradas gays haviam-se transformado em extravagâncias, meio cómicas, meio patéticas, que prejudicavam a imagem do movimento gay.
Atentos, os líderes do movimento passaram à fase seguinte, a da luta pela "igualdade", cuja bandeira maior é o casamento civil. Numa importante inversão de valores, depois de lutarem pela diferença desejaram o regresso à igualdade, para fechar o ciclo e vencer a tal distância que se instalara entre as pessoas. Porém, e ao contrário do que se passou na "identidade", na polémica questão do casamento o movimento gay fracturou-se.
Nos anos noventa, na América e em Inglaterra, nasceram os movimentos gays conservadores, que recusam a ideia de um casamento gay. Ou seja, a "fractura" entre a esquerda e a direita rasga também o movimento, e não apenas o resto da sociedade.
Em Portugal, a luta gay tem sido sempre uma bandeira da esquerda radical, que tem no Bloco o seu motor. É evidente que o PS adoptou a causa por mera táctica oportuna, e o PCP já não tem paciência para a contrariar, como fez durante décadas. O que é pena é que os gays conservadores portugueses não apareçam, opondo-se ao casamento gay como fizeram os seus compadres lá fora. Nesta, como noutras questões, estamos ainda na idade da pedra.
Domingos Amaral, Director da GQ
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Maquiagem de Cleópatra pode ter sido medicinal
A maquiagem pesada usada por egípcios na Antiguidade, como a famosa rainha Cleópatra, pode ter tido uma finalidade medicinal, e não apenas estética, de acordo com um estudo do Centro Nacional para Pesquisa Científica da França (CNRS).
Os pesquisadores analisaram amostras de cosméticos encontrados em tumbas egípcias e seguiram receitas antigas contidas em relatos de autores greco-romanos e descobriram que eram usados sais que levavam à produção de óxido nítrico - uma substância que estimula o sistema imunológico para combater infecções oculares.
Os sais incluíam chumbo, que faz mal à saúde, mas os cientistas do CNRS e do Museu do Louvre descobriram que em doses muito baixas ele pode ter um efeito benéfico.
O chefe da equipe de pesquisa, Philippe Walter, disse:
– Nós sabíamos que os antigos gregos e romanos também tinham percebido que a maquiagem tinha propriedades medicinais, mas queríamos determinar exatamente como funcionava.
Os pesquisadores usaram um minúsculo eletrodo, mais fino do que um fio de cabelo, para examinar os efeitos do sal de cloreto de chumbo sintetizado pelos egípcios - laurionita - em uma única célula.
Em artigo na revista Analytical Chemistry, os cientistas escreveram:
– Ao estimular defesas imunológicas não-específicas, pode-se argumentar que estes compostos de chumbo era manufaturados deliberadamente e usados em fórmulas egípcias antigas para prevenir e tratar de males dos olhos, promovendo a ação das células imunológicas.
Os pesquisadores analisaram amostras de cosméticos encontrados em tumbas egípcias e seguiram receitas antigas contidas em relatos de autores greco-romanos e descobriram que eram usados sais que levavam à produção de óxido nítrico - uma substância que estimula o sistema imunológico para combater infecções oculares.
Os sais incluíam chumbo, que faz mal à saúde, mas os cientistas do CNRS e do Museu do Louvre descobriram que em doses muito baixas ele pode ter um efeito benéfico.
O chefe da equipe de pesquisa, Philippe Walter, disse:
– Nós sabíamos que os antigos gregos e romanos também tinham percebido que a maquiagem tinha propriedades medicinais, mas queríamos determinar exatamente como funcionava.
Os pesquisadores usaram um minúsculo eletrodo, mais fino do que um fio de cabelo, para examinar os efeitos do sal de cloreto de chumbo sintetizado pelos egípcios - laurionita - em uma única célula.
Em artigo na revista Analytical Chemistry, os cientistas escreveram:
– Ao estimular defesas imunológicas não-específicas, pode-se argumentar que estes compostos de chumbo era manufaturados deliberadamente e usados em fórmulas egípcias antigas para prevenir e tratar de males dos olhos, promovendo a ação das células imunológicas.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Espectrometria contra o crime
Por Fabio Reynol
Agência FAPESP – Descobrir em questão de segundos se uma cédula é falsa, se uma assinatura foi adulterada ou se o azeite de oliva é realmente puro são apenas algumas das aplicações da Easy Ambient Sonicspray Ionization Mass Spectometry (EASI-MS), técnica desenvolvida pela equipe do professor Marcos Nogueira Eberlin, no Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A EASI-MS foi desenvolvida no âmbito do Projeto Temático “Desenvolvimento e estudo de materiais funcionais e estruturais dentro da perspectiva da complexidade”, apoiado pela FAPESP, e teve a participação do doutorando Gustavo Braga Sanvido e do estudante de pós-doutorado Renato Haddad, ambos bolsistas da Fundação.
Diferentemente das técnicas convencionais de espectrometria de massa, a EASI-MS não exige a preparação da amostra a ser analisada, o que agiliza muito o processo. Para descobrir se uma nota é verdadeira ou não basta inseri-la no espectrômetro de massa. Um spray ionizante é lançado sobre ela e libera íons (partículas eletricamente carregadas) que funcionam como uma “impressão digital”.
“A nota autêntica possui um perfil químico muito característico e o processo detecta até mesmo falsificações feitas a partir de cédulas verdadeiras que são lavadas e posteriormente pintadas com valores maiores”, disse Eberlin.
Isso ocorre porque os chamados íons diagnósticos da nota verdadeira estão no papel e não na tinta. “Para burlar esse método de detecção só mesmo imprimindo dinheiro dentro da Casa da Moeda”, disse.
A análise foi aplicada com sucesso em notas de real, euro e dólar. Para conseguir exemplares de dinheiro falsificado, a equipe contou com apoio da Polícia Federal e do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
Além da falsificação de dinheiro, os peritos policiais também precisavam de uma solução para detectar adulterações em documentos. Entre os materiais submetidos estava uma carteira de trabalho. A Previdência Social desconfiava de uma adulteração no campo referente ao tempo de serviço e a equipe da Unicamp comprovou a fraude por meio da EASI-MS.
“A tinta não envelhece na caneta, o envelhecimento começa após o contato com o papel”, explicou o pesquisador. Com isso, a equipe verificou que é possível diferenciar traços feitos com a mesma tinta em épocas distintas.
Sem destruir o documento, a espectrometria de massa identifica quais partes da escrita são antigas e quais foram acrescentadas posteriormente, em um grau de detalhamento que permite localizar os pontos de cruzamento entre os traços e revelar qual está por cima. Atualmente, esse tipo de análise de documentos é feito por meio de observações com microscópios, o que é mais impreciso e demorado.
Rastreamento e fiscalização
A nova técnica também pode auxiliar em outra área importante da criminalística: o tráfico de drogas. Ao decompor entorpecentes, a EASI-MS detalha a composição química e com ela fornece dados importantes para a polícia rastrear a fonte do produto.
“As substâncias encontradas são traçadores químicos de origem. As impurezas presentes na cocaína vinda da Colômbia, por exemplo, são diferentes das observadas na droga produzida na Bolívia”, explicou Eberlin.
Com isso, os policiais poderão contar com uma informação precisa e que hoje só pode ser obtida por meio do depoimento de traficantes presos. Com a colaboração das polícias Civil e Federal, o laboratório da Unicamp realizou com sucesso análises de comprimidos de ecstasy, de lotes contrabandeados de suldenafil – princípio ativo de remédios para impotência sexual – e da cocaína.
Além do ramo criminal, a nova técnica também poderá auxiliar os serviços de fiscalização e de inspeção de produtos. A EASI-MS, por exemplo, fornece com exatidão o teor de óleo de soja presente em uma amostra de azeite de oliva e identifica possíveis contaminantes. Saber se um determinado uísque foi adulterado, ou se foi mesmo envelhecido pelo tempo que consta no rótulo, é outra possibilidade.
Essas mesmas aplicações valem para uma infinidade de produtos. A equipe de Eberlin já foi consultada para analisar a qualidade e o tipo de óleos presentes em amostras de biodiesel e para verificar o conteúdo de óleos cosméticos.
“Uma indústria de cosméticos que trabalha com produtos da Amazônia, como jaborandi e andiroba, queria saber se os óleos que recebia dos fornecedores eram realmente feitos dessas matérias-primas”, contou.
Os métodos convencionais para determinar a composição de óleos envolvem processos trabalhosos e demorados como hidrólise seguida de derivatização para extrair componentes. O tempo de análise de uma amostra realizada com essas técnicas equivale ao tempo médio de 100 ou 200 análises feitas pela EASI-MS.
Além disso, existem outras tecnologias de análise que necessitam de recursos complexos, como laser, alta voltagem ou lâmpadas especiais. A EASI-MS, ressalta Eberlin, é uma adaptação mais simples, feita em um espectrômetro de massa e que utiliza água e etanol como spray de ionização.
As facilidades da técnica aliadas ao seu baixo custo despertaram o interesse de órgãos de controle de qualidade e de certificação como o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), além dos dois parceiros do projeto, a Polícia Civil de São Paulo e a Polícia Federal.
Os trabalhos produzidos no âmbito do Projeto Temático FAPESP já resultaram em 25 artigos científicos publicados em periódicos internacionais como Analytical Chemistry e Journal of Forensic Science, da American Chemical Society, The Analyst, da Royal Society of Chemistry, e Journal of Mass Spectrometry e Rapid Communications in Mass Spectrometry, da Wiley.
O próximo passo do projeto, segundo Eberlin, é difundir e viabilizar a aplicação da tecnologia por meio da miniaturização dos espectrômetros de massa.
Apesar de já existir modelos portáteis, com cerca de quatro quilos, os mais utilizados nos laboratórios têm o tamanho de uma geladeira e os menores são um pouco maiores que um forno de micro-ondas. Com a ampliação das aplicações, o pesquisador acredita que o preço do aparelho, cerca de US$ 20 mil hoje, também deverá encolher.
Agência FAPESP – Descobrir em questão de segundos se uma cédula é falsa, se uma assinatura foi adulterada ou se o azeite de oliva é realmente puro são apenas algumas das aplicações da Easy Ambient Sonicspray Ionization Mass Spectometry (EASI-MS), técnica desenvolvida pela equipe do professor Marcos Nogueira Eberlin, no Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A EASI-MS foi desenvolvida no âmbito do Projeto Temático “Desenvolvimento e estudo de materiais funcionais e estruturais dentro da perspectiva da complexidade”, apoiado pela FAPESP, e teve a participação do doutorando Gustavo Braga Sanvido e do estudante de pós-doutorado Renato Haddad, ambos bolsistas da Fundação.
Diferentemente das técnicas convencionais de espectrometria de massa, a EASI-MS não exige a preparação da amostra a ser analisada, o que agiliza muito o processo. Para descobrir se uma nota é verdadeira ou não basta inseri-la no espectrômetro de massa. Um spray ionizante é lançado sobre ela e libera íons (partículas eletricamente carregadas) que funcionam como uma “impressão digital”.
“A nota autêntica possui um perfil químico muito característico e o processo detecta até mesmo falsificações feitas a partir de cédulas verdadeiras que são lavadas e posteriormente pintadas com valores maiores”, disse Eberlin.
Isso ocorre porque os chamados íons diagnósticos da nota verdadeira estão no papel e não na tinta. “Para burlar esse método de detecção só mesmo imprimindo dinheiro dentro da Casa da Moeda”, disse.
A análise foi aplicada com sucesso em notas de real, euro e dólar. Para conseguir exemplares de dinheiro falsificado, a equipe contou com apoio da Polícia Federal e do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
Além da falsificação de dinheiro, os peritos policiais também precisavam de uma solução para detectar adulterações em documentos. Entre os materiais submetidos estava uma carteira de trabalho. A Previdência Social desconfiava de uma adulteração no campo referente ao tempo de serviço e a equipe da Unicamp comprovou a fraude por meio da EASI-MS.
“A tinta não envelhece na caneta, o envelhecimento começa após o contato com o papel”, explicou o pesquisador. Com isso, a equipe verificou que é possível diferenciar traços feitos com a mesma tinta em épocas distintas.
Sem destruir o documento, a espectrometria de massa identifica quais partes da escrita são antigas e quais foram acrescentadas posteriormente, em um grau de detalhamento que permite localizar os pontos de cruzamento entre os traços e revelar qual está por cima. Atualmente, esse tipo de análise de documentos é feito por meio de observações com microscópios, o que é mais impreciso e demorado.
Rastreamento e fiscalização
A nova técnica também pode auxiliar em outra área importante da criminalística: o tráfico de drogas. Ao decompor entorpecentes, a EASI-MS detalha a composição química e com ela fornece dados importantes para a polícia rastrear a fonte do produto.
“As substâncias encontradas são traçadores químicos de origem. As impurezas presentes na cocaína vinda da Colômbia, por exemplo, são diferentes das observadas na droga produzida na Bolívia”, explicou Eberlin.
Com isso, os policiais poderão contar com uma informação precisa e que hoje só pode ser obtida por meio do depoimento de traficantes presos. Com a colaboração das polícias Civil e Federal, o laboratório da Unicamp realizou com sucesso análises de comprimidos de ecstasy, de lotes contrabandeados de suldenafil – princípio ativo de remédios para impotência sexual – e da cocaína.
Além do ramo criminal, a nova técnica também poderá auxiliar os serviços de fiscalização e de inspeção de produtos. A EASI-MS, por exemplo, fornece com exatidão o teor de óleo de soja presente em uma amostra de azeite de oliva e identifica possíveis contaminantes. Saber se um determinado uísque foi adulterado, ou se foi mesmo envelhecido pelo tempo que consta no rótulo, é outra possibilidade.
Essas mesmas aplicações valem para uma infinidade de produtos. A equipe de Eberlin já foi consultada para analisar a qualidade e o tipo de óleos presentes em amostras de biodiesel e para verificar o conteúdo de óleos cosméticos.
“Uma indústria de cosméticos que trabalha com produtos da Amazônia, como jaborandi e andiroba, queria saber se os óleos que recebia dos fornecedores eram realmente feitos dessas matérias-primas”, contou.
Os métodos convencionais para determinar a composição de óleos envolvem processos trabalhosos e demorados como hidrólise seguida de derivatização para extrair componentes. O tempo de análise de uma amostra realizada com essas técnicas equivale ao tempo médio de 100 ou 200 análises feitas pela EASI-MS.
Além disso, existem outras tecnologias de análise que necessitam de recursos complexos, como laser, alta voltagem ou lâmpadas especiais. A EASI-MS, ressalta Eberlin, é uma adaptação mais simples, feita em um espectrômetro de massa e que utiliza água e etanol como spray de ionização.
As facilidades da técnica aliadas ao seu baixo custo despertaram o interesse de órgãos de controle de qualidade e de certificação como o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), além dos dois parceiros do projeto, a Polícia Civil de São Paulo e a Polícia Federal.
Os trabalhos produzidos no âmbito do Projeto Temático FAPESP já resultaram em 25 artigos científicos publicados em periódicos internacionais como Analytical Chemistry e Journal of Forensic Science, da American Chemical Society, The Analyst, da Royal Society of Chemistry, e Journal of Mass Spectrometry e Rapid Communications in Mass Spectrometry, da Wiley.
O próximo passo do projeto, segundo Eberlin, é difundir e viabilizar a aplicação da tecnologia por meio da miniaturização dos espectrômetros de massa.
Apesar de já existir modelos portáteis, com cerca de quatro quilos, os mais utilizados nos laboratórios têm o tamanho de uma geladeira e os menores são um pouco maiores que um forno de micro-ondas. Com a ampliação das aplicações, o pesquisador acredita que o preço do aparelho, cerca de US$ 20 mil hoje, também deverá encolher.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Rastilhos
A Mensagem de Ano Novo do Presidente da República condensa os lugares-comuns da retórica da impotência, característica dos discursos da direita em geral, e do PSD em especial. Que sentido tem repetir maniacamente que há desemprego e défice demasiado altos? Acaso só a direita é que está preocupada? Será que o Governo ignora os números, esse mesmo Governo que reduziu o défice quando pôde e apoiou as vítimas da crise internacional quando foi necessário? Este alarmismo estéril e tóxico, nunca se comprometendo com alguma solução, manifesta a paupérrima qualidade intelectual e cívica que constitui a actual direita.
Mas o melhor do discurso de Ano Novo vem do reino da metáfora: situação explosiva. Coincidindo com o descalabro no BCP e BPN, finais de 2007, os círculos cavaquistas passaram a falar da ameaça de explosões sociais. A SEDES, no princípio de 2008, foi para a janela gritar que havia na sociedade um difuso mal-estar – isto é, que o relógio já estava em contagem decrescente para o grande peido. E em Junho desse ano sentiu-se o cheiro da pólvora, com o bloqueio das transportadoras, animado por um gabiru ligado ao PSD. Este quadro de ameaças vagas e crescente retórica catastrofista, misturado com apelos à intervenção presidencial, recolheu imediata adesão dos sectores da sociedade mais fragilizados cultural e cognitivamente, tendo sido transformado em estratégia política com os tópicos da política de verdade, asfixia democrática e medo.
Acontece que em Portugal as explosões sociais são um negócio do PCP. Eles é que têm as carrinhas, camionetas e camiões autárquicos, assim como uma base de dados nacional com os nomes dos revolucionários sempre prontos a largar o bulimento, ou a bisca deslambida, e vir até à Capital abrir o apetite com umas caminhadas avenida a baixo. Depois, chegam os manfios do BE, colocam-se no passeio sorridentes e fazem os directos para a TV. Uma explosão social bem organizada funciona assim – escusado será lembrar que as explosões socias desorganizadas não funcionam, isto é de lenina caprina.
Moral da história: os que à direita falam em explosões sociais mal conseguem conter o seu desejo que aconteçam, deixando-se apanhar a acender o rastilho. Ver o Presidente da República alinhado com esses irresponsáveis, só confirma que os mínimos para estar à altura da função há muito explodiram em Belém.
In: Aspirina B
Mas o melhor do discurso de Ano Novo vem do reino da metáfora: situação explosiva. Coincidindo com o descalabro no BCP e BPN, finais de 2007, os círculos cavaquistas passaram a falar da ameaça de explosões sociais. A SEDES, no princípio de 2008, foi para a janela gritar que havia na sociedade um difuso mal-estar – isto é, que o relógio já estava em contagem decrescente para o grande peido. E em Junho desse ano sentiu-se o cheiro da pólvora, com o bloqueio das transportadoras, animado por um gabiru ligado ao PSD. Este quadro de ameaças vagas e crescente retórica catastrofista, misturado com apelos à intervenção presidencial, recolheu imediata adesão dos sectores da sociedade mais fragilizados cultural e cognitivamente, tendo sido transformado em estratégia política com os tópicos da política de verdade, asfixia democrática e medo.
Acontece que em Portugal as explosões sociais são um negócio do PCP. Eles é que têm as carrinhas, camionetas e camiões autárquicos, assim como uma base de dados nacional com os nomes dos revolucionários sempre prontos a largar o bulimento, ou a bisca deslambida, e vir até à Capital abrir o apetite com umas caminhadas avenida a baixo. Depois, chegam os manfios do BE, colocam-se no passeio sorridentes e fazem os directos para a TV. Uma explosão social bem organizada funciona assim – escusado será lembrar que as explosões socias desorganizadas não funcionam, isto é de lenina caprina.
Moral da história: os que à direita falam em explosões sociais mal conseguem conter o seu desejo que aconteçam, deixando-se apanhar a acender o rastilho. Ver o Presidente da República alinhado com esses irresponsáveis, só confirma que os mínimos para estar à altura da função há muito explodiram em Belém.
In: Aspirina B
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Diagnóstico em aves
Por Fábio Reynol
Agência FAPESP – No fim da década de 1990, a indústria avícola descobriu um problema ósseo, a discondroplasia tibial, ou falta de calcificação da tíbia, que atingia mais da metade dos frangos criados.
A enfermidade foi um efeito indesejado do processo de seleção genética, que dava preferência às aves com mais carne para servir como reprodutoras. Os animais ficaram mais corpulentos a cada geração, mas o desenvolvimento da tíbia não acompanhou o aumento de peso. Como resultado, esses ossos não calcificavam. Permaneciam moles, em estado cartilaginoso.
O problema causa sofrimento às aves que sentem dor ao andar e, por isso, acabam se alimentando menos e ficando mais tempo deitadas, prejudicando o crescimento e provocando dermatites, entre outros problemas.
No início do ano 2000, a zootecnista Ibiara Correia de Lima Almeida Paz começou a estudar o assunto em seu mestrado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Botucatu. O objetivo era desenvolver um método que permitisse o diagnóstico da doença sem que fosse preciso sacrificar as aves.
“Na época, só havia uma técnica de diagnóstico de animais vivos, mas era patenteada em nome de uma empresa multinacional e, portanto, não acessível”, explica Ibiara, que hoje é professora da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), no Mato Grosso do Sul.
A pesquisadora contou com apoio da FAPESP na forma de bolsa de Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado, este último intitulado “Densidade mineral óssea de aves de interesse zootécnico – Gallus gallus (poedeiras semi-pesadas e frangos de corte) e Struthio camelus (avestruzes) e concluído em 2009. Todos os trabalhos de pesquisa foram orientados pelo professor Ariel Antonio Mendes, do Departamento de Produção Animal da FMVZ.
Ibiara optou por adaptar uma metodologia de diagnóstico aplicada a cães e gatos que havia sido desenvolvida pelo professor Luiz Carlos Vulcano, da FMVZ. O sistema utilizava técnica de raios X, mas esbarrava em um problema de portabilidade.
“No início, levávamos as aves para o hospital veterinário da faculdade, mas isso se mostrou inviável ao longo do tempo”, contou. A solução foi transportar equipamentos portáteis de raios X para o campo.
Resolvido o problema da coleta de dados diagnósticos, ainda era preciso desenvolver um método para analisá-los. O desafio estava em medir o teor de cálcio e de fósforo dos ossos radiografados. Esses dois minerais são os principais elementos formadores da hidroxiapatita, o composto responsável pela rigidez óssea e que tem densidade muito próxima à do alumínio.
A solução foi elaborar uma escala com teores diferentes de alumínio, que serviria de padrão de comparação para detectar a quantidade de hidroxiapatita nas tíbias das aves.
“Comparamos as tonalidades cinzentas da escala de alumínio com a cor da radiografia e, com isso, conseguimos verificar o índice de calcificação do osso e se a ave sofria de discondroplasia tibial”, disse Ibiara.
Frangos no tapete eletrônico
Durante os estudos, o grupo da FMVZ soube que a professora Irenilza de Alencar Nääs, da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas, estava utilizando em seu trabalho um tapete eletrônico desenvolvido por um fabricante de calçados esportivos para analisar pisadas de atletas.
Com o apoio da professora da Unicamp, Ibiara levou frangos para caminhar sobre o tapete e constatou que as aves com problemas no andar começavam a caminhar normalmente após receberem analgésicos. “Naquele momento percebemos que as aves sofriam dores por causa da doença”, disse.
A pesquisa recebeu vários prêmios, como o de melhor trabalho na 19ª Conferência Europeia de Avicultura, em 2002, na Alemanha, e o de melhor trabalho na área de produção da Conferência da Fundação Apinco de Ciência e Tecnologia Avícolas, em 2008.
Ibiara continua nessa linha de pesquisa, agora identificando outros problemas ósseos, como a degeneração femural dos frangos e desvios na coluna vertebral que surgiram quando o melhoramento genético, a manipulação e a nutrição começaram a reduzir os índices de discondroplasia tibial.
Agência FAPESP – No fim da década de 1990, a indústria avícola descobriu um problema ósseo, a discondroplasia tibial, ou falta de calcificação da tíbia, que atingia mais da metade dos frangos criados.
A enfermidade foi um efeito indesejado do processo de seleção genética, que dava preferência às aves com mais carne para servir como reprodutoras. Os animais ficaram mais corpulentos a cada geração, mas o desenvolvimento da tíbia não acompanhou o aumento de peso. Como resultado, esses ossos não calcificavam. Permaneciam moles, em estado cartilaginoso.
O problema causa sofrimento às aves que sentem dor ao andar e, por isso, acabam se alimentando menos e ficando mais tempo deitadas, prejudicando o crescimento e provocando dermatites, entre outros problemas.
No início do ano 2000, a zootecnista Ibiara Correia de Lima Almeida Paz começou a estudar o assunto em seu mestrado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Botucatu. O objetivo era desenvolver um método que permitisse o diagnóstico da doença sem que fosse preciso sacrificar as aves.
“Na época, só havia uma técnica de diagnóstico de animais vivos, mas era patenteada em nome de uma empresa multinacional e, portanto, não acessível”, explica Ibiara, que hoje é professora da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), no Mato Grosso do Sul.
A pesquisadora contou com apoio da FAPESP na forma de bolsa de Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado, este último intitulado “Densidade mineral óssea de aves de interesse zootécnico – Gallus gallus (poedeiras semi-pesadas e frangos de corte) e Struthio camelus (avestruzes) e concluído em 2009. Todos os trabalhos de pesquisa foram orientados pelo professor Ariel Antonio Mendes, do Departamento de Produção Animal da FMVZ.
Ibiara optou por adaptar uma metodologia de diagnóstico aplicada a cães e gatos que havia sido desenvolvida pelo professor Luiz Carlos Vulcano, da FMVZ. O sistema utilizava técnica de raios X, mas esbarrava em um problema de portabilidade.
“No início, levávamos as aves para o hospital veterinário da faculdade, mas isso se mostrou inviável ao longo do tempo”, contou. A solução foi transportar equipamentos portáteis de raios X para o campo.
Resolvido o problema da coleta de dados diagnósticos, ainda era preciso desenvolver um método para analisá-los. O desafio estava em medir o teor de cálcio e de fósforo dos ossos radiografados. Esses dois minerais são os principais elementos formadores da hidroxiapatita, o composto responsável pela rigidez óssea e que tem densidade muito próxima à do alumínio.
A solução foi elaborar uma escala com teores diferentes de alumínio, que serviria de padrão de comparação para detectar a quantidade de hidroxiapatita nas tíbias das aves.
“Comparamos as tonalidades cinzentas da escala de alumínio com a cor da radiografia e, com isso, conseguimos verificar o índice de calcificação do osso e se a ave sofria de discondroplasia tibial”, disse Ibiara.
Frangos no tapete eletrônico
Durante os estudos, o grupo da FMVZ soube que a professora Irenilza de Alencar Nääs, da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas, estava utilizando em seu trabalho um tapete eletrônico desenvolvido por um fabricante de calçados esportivos para analisar pisadas de atletas.
Com o apoio da professora da Unicamp, Ibiara levou frangos para caminhar sobre o tapete e constatou que as aves com problemas no andar começavam a caminhar normalmente após receberem analgésicos. “Naquele momento percebemos que as aves sofriam dores por causa da doença”, disse.
A pesquisa recebeu vários prêmios, como o de melhor trabalho na 19ª Conferência Europeia de Avicultura, em 2002, na Alemanha, e o de melhor trabalho na área de produção da Conferência da Fundação Apinco de Ciência e Tecnologia Avícolas, em 2008.
Ibiara continua nessa linha de pesquisa, agora identificando outros problemas ósseos, como a degeneração femural dos frangos e desvios na coluna vertebral que surgiram quando o melhoramento genético, a manipulação e a nutrição começaram a reduzir os índices de discondroplasia tibial.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
O estranho caso dos activos mágicos
Quando, no final do ano passado, seis bancos aceitaram emprestar 450 milhões de euros para salvarem o Banco Privado Português (BPP) da falência, vários detalhes ficaram por explicar. Entre a pressão privada e os ziguezagues públicos, surgiu o suspeito valor atribuído à contragarantia apresentada ao Estado pela instituição beneficiária.
Esta destinava-se a proteger os interesses públicos no caso de o BPP falhar os seus compromissos, circunstância em que os credores poderiam accionar o aval concedido pelo Governo com o objectivo de serem reembolsados. Onde estava a surpresa? No simples facto de, por artes mágicas, o BPP ter tirado da manga um conjunto de activos de valor superior ao do empréstimo contraído, prodígio que se julgava impossível devido às dificuldades que a instituição atravessava.
Aparentemente, o Privado tinha património. E este forneceu, na época, conforto suficiente para o Governo qualificar o aval concedido como uma operação de baixo risco, enquanto assegurava que os interesses dos contribuintes estavam devidamente protegidos. Em caso de acidente, os tais activos reverteriam para o Estado e o que tinha começado mal acabaria bem. Tudo parecia perfeito, numa época de perfeito desastre no sector financeiro. Mas pelo menos um pormenor não batia certo com as vagas explicações oficiais do Governo e do Banco de Portugal.
Era muito pouco provável que a contragarantia fosse tão sólida quanto se pretendia fazer crer. Caso contrário, não se poderia entender por que motivo os bancos credores não a teriam aceitado sem necessitarem de exigir um aval do Estado antes de colocarem um único cêntimo nas mãos do periclitante BPP. O Tribunal de Contas e uma auditoria da Deloitte vieram agora colocar à vista aquilo que foi mal disfarçado e acabaram com o "mistério" que, na verdade, nunca o foi.
Os activos que compõem a contra-garantia valem bem menos que o empréstimo avalizado pelo Governo, afirmam agora as duas entidades que analisaram a questão. E uma parte desse património pode nem existir, porque está assente em créditos que dependem de serem cobrados. Ao contrário do que sugeriu o papel de embrulho utilizado pelas Finanças para venderem a operação à opinião pública, a engenharia que salvou o BPP foi de alto risco. A avaliação da contra-garantia foi feita à pressa e de forma superficial e o dinheiro dos contribuintes acabou por ser comprometido sem que se tivessem observado as mínimas cautelas.
O Governo salvou o BPP mas quis fingir que não o estava a fazer. A encenação chegou ao fim e só falta saber qual o valor da factura que vai ser liquidada pelos cofres públicos.
“João Candido Silva”
Esta destinava-se a proteger os interesses públicos no caso de o BPP falhar os seus compromissos, circunstância em que os credores poderiam accionar o aval concedido pelo Governo com o objectivo de serem reembolsados. Onde estava a surpresa? No simples facto de, por artes mágicas, o BPP ter tirado da manga um conjunto de activos de valor superior ao do empréstimo contraído, prodígio que se julgava impossível devido às dificuldades que a instituição atravessava.
Aparentemente, o Privado tinha património. E este forneceu, na época, conforto suficiente para o Governo qualificar o aval concedido como uma operação de baixo risco, enquanto assegurava que os interesses dos contribuintes estavam devidamente protegidos. Em caso de acidente, os tais activos reverteriam para o Estado e o que tinha começado mal acabaria bem. Tudo parecia perfeito, numa época de perfeito desastre no sector financeiro. Mas pelo menos um pormenor não batia certo com as vagas explicações oficiais do Governo e do Banco de Portugal.
Era muito pouco provável que a contragarantia fosse tão sólida quanto se pretendia fazer crer. Caso contrário, não se poderia entender por que motivo os bancos credores não a teriam aceitado sem necessitarem de exigir um aval do Estado antes de colocarem um único cêntimo nas mãos do periclitante BPP. O Tribunal de Contas e uma auditoria da Deloitte vieram agora colocar à vista aquilo que foi mal disfarçado e acabaram com o "mistério" que, na verdade, nunca o foi.
Os activos que compõem a contra-garantia valem bem menos que o empréstimo avalizado pelo Governo, afirmam agora as duas entidades que analisaram a questão. E uma parte desse património pode nem existir, porque está assente em créditos que dependem de serem cobrados. Ao contrário do que sugeriu o papel de embrulho utilizado pelas Finanças para venderem a operação à opinião pública, a engenharia que salvou o BPP foi de alto risco. A avaliação da contra-garantia foi feita à pressa e de forma superficial e o dinheiro dos contribuintes acabou por ser comprometido sem que se tivessem observado as mínimas cautelas.
O Governo salvou o BPP mas quis fingir que não o estava a fazer. A encenação chegou ao fim e só falta saber qual o valor da factura que vai ser liquidada pelos cofres públicos.
“João Candido Silva”
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Homem ou mosca?
Agência FAPESP – A mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster) é muito diferente do homem não apenas no número de genes, mas também na quantidade de interações protéicas em seus organismos.
A conclusão é de um estudo feito por cientistas europeus, que desenvolveram uma nova técnica para estimar o total de interações entre proteínas em qualquer organismo.
O trabalho, publicado no site da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), indica que o homem tem cerca de dez vezes mais interações entre proteínas do que a mosca-da-fruta.
Uma das maiores surpresas encontradas após o início do seqüenciamento do genoma de organismos foi a diferença muito menor entre os números de genes do que se imaginava. Enquanto o homem, por exemplo, tem cerca de 24 mil genes, a drosófila tem 14 mil.
Ou seja, o total de genes não é suficiente para expressar a complexidade dos organismos. Por conta disso, no novo estudo os pesquisadores decidiram investigar as interações protéicas, que, como destacaram, "parecem estar mais relacionadas com a complexidade biológica aparente".
Tais interações estão por trás de todos os sistemas fisiológicos no organismo humano. Quando o corpo digere alimentos, responde a mudanças em temperatura ou combate uma infecção, numerosas combinações de interações protéicas estão envolvidas.
Mas, até agora, não se havia conseguido calcular os números dessas interações que ocorrem em diferentes organismos. O total de interações protéicas do organismo humano é chamado de interactoma.
O grupo coordenado por Michael Stumpf, professor do Departamento de Ciências da Vida do Imperial College London, na Inglaterra, desenvolveu uma ferramenta matemática que permite estimar o total de interações baseado em dados disponíveis e mesmo incompletos.
"Essa abordagem foi aplicada a diversos organismos eucariontes, sobre os quais foram coletados dados extensos sobre interações protéicas, e pudemos estimar o número de interações em humanos em aproximadamente 650 mil", destacaram os autores no artigo.
"Compreender o genoma humano definitivamente não é o suficiente para explicar o que nos torna diferentes das criaturas mais simples. Mas nosso estudo indica que as interações protéicas podem conter uma das chaves que revelarão como um organismo se diferencia de outro", disse Stumpf.
O artigo Estimating the size of the human interactome, de Michael Stumpf e outros, poderá ser lido em www.pnas.org.
A conclusão é de um estudo feito por cientistas europeus, que desenvolveram uma nova técnica para estimar o total de interações entre proteínas em qualquer organismo.
O trabalho, publicado no site da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), indica que o homem tem cerca de dez vezes mais interações entre proteínas do que a mosca-da-fruta.
Uma das maiores surpresas encontradas após o início do seqüenciamento do genoma de organismos foi a diferença muito menor entre os números de genes do que se imaginava. Enquanto o homem, por exemplo, tem cerca de 24 mil genes, a drosófila tem 14 mil.
Ou seja, o total de genes não é suficiente para expressar a complexidade dos organismos. Por conta disso, no novo estudo os pesquisadores decidiram investigar as interações protéicas, que, como destacaram, "parecem estar mais relacionadas com a complexidade biológica aparente".
Tais interações estão por trás de todos os sistemas fisiológicos no organismo humano. Quando o corpo digere alimentos, responde a mudanças em temperatura ou combate uma infecção, numerosas combinações de interações protéicas estão envolvidas.
Mas, até agora, não se havia conseguido calcular os números dessas interações que ocorrem em diferentes organismos. O total de interações protéicas do organismo humano é chamado de interactoma.
O grupo coordenado por Michael Stumpf, professor do Departamento de Ciências da Vida do Imperial College London, na Inglaterra, desenvolveu uma ferramenta matemática que permite estimar o total de interações baseado em dados disponíveis e mesmo incompletos.
"Essa abordagem foi aplicada a diversos organismos eucariontes, sobre os quais foram coletados dados extensos sobre interações protéicas, e pudemos estimar o número de interações em humanos em aproximadamente 650 mil", destacaram os autores no artigo.
"Compreender o genoma humano definitivamente não é o suficiente para explicar o que nos torna diferentes das criaturas mais simples. Mas nosso estudo indica que as interações protéicas podem conter uma das chaves que revelarão como um organismo se diferencia de outro", disse Stumpf.
O artigo Estimating the size of the human interactome, de Michael Stumpf e outros, poderá ser lido em www.pnas.org.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Pior é bem possível
Em 2010, José Sócrates vai tentar, custe o que custar, recuperar a maioria absoluta. Dito isto, é de temer o pior do ano que aí vem.
O ano de 2009 está a acabar. Para muitos é um alívio. Principalmente para os muitos milhares que ficaram desempregados, para os que ficaram sem casa própria, para os que viram os seus níveis de endividamento atingirem valores incomportáveis, para os empresários falidos, para os muitos que caíram na pobreza e também para os milhares que só sobrevivem à conta de subsídios do Estado. Estas desgraças, na sábia opinião do senhor presidente relativo do Conselho e do seu partido, só aconteceram devido à crise internacional.
Como agora se sabe, quando as águas estão a voltar ao normal e deixam a nu uma miserável realidade, as culpas atiradas para cima da crise não passam de patranhas que o Governo do senhor presidente relativo do Conselho repetiu mil vezes na vã tentativa de as transformar em verdades. O ano de 2009 também ficou marcado por três eleições. Nas Europeias ganhou o PSD, nas Legislativas o PS, sem maioria absoluta, e nas Autárquicas de novo o PSD, com menos mandatos e menos câmaras. No fundo, depois de tantas campanhas, de tantos milhões atirados à rua e de tantos votos, ficou tudo exactamente na mesma. Melhor ainda. Ficou tudo pior. E se de política estamos conversados, com o PSD em estado de pré-coma, na Justiça as coisas chegaram a tal ponto que é legítimo a qualquer indígena deste sítio pobre, deprimido, manhoso e cada vez mais mal frequentado duvidar seriamente da independência dos mais altos responsáveis da dita, isto é, presidente do Supremo Tribunal de Justiça e procurador-geral da República.
Hoje em dia, qualquer decisão, despacho ou investigação está, à partida, sob suspeita. Tanto no Freeport como na Face Oculta, destapa-se a tampa e o cheiro é verdadeiramente nauseabundo. E se 2009 foi uma desgraça, é escusado andar por aí a desejar um bom ano de 2010. Não será melhor para os desempregados, para os pobres, para os falidos. É até bem possível que a esta legião de desgraçados se juntem mais uns tantos milhares. Com uma agravante. O Estado está a caminho do buraco com as políticas irresponsáveis e, em alguns casos, criminosas do Governo do senhor presidente relativo do Conselho. E do ponto de vista político, José Sócrates vai aproveitar o ano que aí vem para manter um clima de guerrilha com tudo e com todos, mesmo com Cavaco Silva, para tentar, custe o que custar, recuperar a maioria absoluta. Dito isto, é de temer o pior do ano que aí vem.
António Ribeiro Ferreira, Jornalista
O ano de 2009 está a acabar. Para muitos é um alívio. Principalmente para os muitos milhares que ficaram desempregados, para os que ficaram sem casa própria, para os que viram os seus níveis de endividamento atingirem valores incomportáveis, para os empresários falidos, para os muitos que caíram na pobreza e também para os milhares que só sobrevivem à conta de subsídios do Estado. Estas desgraças, na sábia opinião do senhor presidente relativo do Conselho e do seu partido, só aconteceram devido à crise internacional.
Como agora se sabe, quando as águas estão a voltar ao normal e deixam a nu uma miserável realidade, as culpas atiradas para cima da crise não passam de patranhas que o Governo do senhor presidente relativo do Conselho repetiu mil vezes na vã tentativa de as transformar em verdades. O ano de 2009 também ficou marcado por três eleições. Nas Europeias ganhou o PSD, nas Legislativas o PS, sem maioria absoluta, e nas Autárquicas de novo o PSD, com menos mandatos e menos câmaras. No fundo, depois de tantas campanhas, de tantos milhões atirados à rua e de tantos votos, ficou tudo exactamente na mesma. Melhor ainda. Ficou tudo pior. E se de política estamos conversados, com o PSD em estado de pré-coma, na Justiça as coisas chegaram a tal ponto que é legítimo a qualquer indígena deste sítio pobre, deprimido, manhoso e cada vez mais mal frequentado duvidar seriamente da independência dos mais altos responsáveis da dita, isto é, presidente do Supremo Tribunal de Justiça e procurador-geral da República.
Hoje em dia, qualquer decisão, despacho ou investigação está, à partida, sob suspeita. Tanto no Freeport como na Face Oculta, destapa-se a tampa e o cheiro é verdadeiramente nauseabundo. E se 2009 foi uma desgraça, é escusado andar por aí a desejar um bom ano de 2010. Não será melhor para os desempregados, para os pobres, para os falidos. É até bem possível que a esta legião de desgraçados se juntem mais uns tantos milhares. Com uma agravante. O Estado está a caminho do buraco com as políticas irresponsáveis e, em alguns casos, criminosas do Governo do senhor presidente relativo do Conselho. E do ponto de vista político, José Sócrates vai aproveitar o ano que aí vem para manter um clima de guerrilha com tudo e com todos, mesmo com Cavaco Silva, para tentar, custe o que custar, recuperar a maioria absoluta. Dito isto, é de temer o pior do ano que aí vem.
António Ribeiro Ferreira, Jornalista
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Eletrônica orgânica
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Misturando dois polímeros com propriedades diferentes, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conseguiram aumentar a eletroluminescência de um dispositivo orgânico emissor de luz (Oled, na sigla em inglês). A pesquisa é matéria da revista Synthetic Metals.
Descobertos em 1990 por dois pesquisadores norte-americanos e um japonês – que dez anos depois ganhariam o prêmio Nobel de química pelo feito –, os Oleds prometem substituir, com diversas vantagens, as telas atuais de LCD e plasma. Tratam-se de dispositivos formados por polímeros eletroluminescentes, que emitem luz quando expostos a uma fonte de energia elétrica.
O trabalho correspondeu à tese de doutorado de Rafael Cossiello, orientada por Teresa Atvars, professora do Instituto de Química e pró-reitora de pós-graduação da Unicamp. Segundo Teresa, a base científica trazida à universidade pelo trabalho permite dizer que o grupo é capaz de trabalhar com qualquer material polimérico eletroluminescente.
"O conhecimento gerado sobre o comportamento desses materiais poderá ser retomado em outras categorias de polímeros eletroluminescentes, especialmente na área de sensores", disse a orientadora da pesquisa à Agência FAPESP
Teresa aponta que os Oleds têm grande vantagem em relação aos dispositivos inorgânicos – normalmente feitos de silício – utilizados em displays de diversos aparelhos eletrônicos. Como existe uma grande variedade de polímeros com propriedades eletroluminescentes, mudanças na estrutura das moléculas possibilitam varrer todo o espectro de cores.
"Com os semicondutores inorgânicos essas possibilidades são muito mais limitadas. A vantagem da química orgânica é uma flexibilidade estrutural muito maior. O problema dos dispositivos poliméricos, no entanto, é que a estabilidade quimica não é tão boa e, portanto, a duração do dispositivo não é muito grande. Por outro lado, o brilho é muito maior", explicou.
Os pesquisadores têm procurado meios para estabilizar e aumentar o ciclo de utilização dos dispositivos. "Já existem protótipos de TVs nas quais as moléculas eletroluminescentes substituem o cristal líquido. Isso possibilita a criação de telas com espessura de 3 milímetros, o que seria impossível com o LCD", disse a professora do IQ da Unicamp.
No trabalho, os pesquisadores procuraram otimizar as propriedades do material, misturando um polímero eletroluminescente com outro sem essa propriedade. O resultado foi um aumento de quatro vezes na eficiência da eletroluminescência, com estabilidade maior do que no dispositivo sem a mistura polimérica.
"Estudamos uma série de aspectos relacionados à morfologia do material, como a distribuição do material luminescente sobre a matriz não-luminescente. Optamos por otimizar o dispositivo misturando os dois materiais e procuramos entender o processo e as razões dessa otimização, a fim de abrir caminho para o desenvolvimento tecnológico", explicou.
Área maior é desafio
O grupo da Unicamp utilizou o polímero orgânico eletroluminescente conhecido como MEH-PPV. O outro material foi um polímero sintetizado pelo grupo e formado por três partes.
"Uma das partes era um poliestireno – uma matriz de baixo custo utilizada, por exemplo, em copos plásticos transparentes e réguas escolares – que não forma um bom material quando misturado ao MEH-PPV. Por isso acrescentamos uma parte de acrílico e uma parte de um grupo ácido", explicou Teresa.
A combinação dos três blocos propiciou as características adequadas para que o material, interagindo com o MEH-PPV, aumentasse consideravelmente o rendimento do dispositivo. "A mistura criou, entre os dois materiais, interações específicas que não seriam possíveis isoladamente nem no acrílico nem no poliestireno", disse.
Segundo a professora, esse tipo de estudo requer a utilização de múltiplas técnicas. A montagem do dispositivo é feita com um material condutor sobre uma superfície de vidro. Depois a mistura de polímeros é depositada sobre o material e o eletrodo é instalado.
"O dispositivo que fizemos é um protótipo com área de um centímetro quadrado. Uma vez concluído, uma série de aparelhos aplicam uma corrente elétrica e um sistema de espectroscopia de emissão é utilizado para medir a intensidade da luz", disse.
A professora salientou que a instrumentação utilizada para pesquisa foi proporcionada pelas parcerias com diversos laboratórios. "Nosso grupo foi introduzido, há seis anos, no Instituto Multidisciplinar de Materiais Poliméricos (IMMP), um dos Institutos do Milênio. Isso facilitou o acesso à instrumentação necessária nessa pequisa que é altamente interdisciplinar", afirmou.
Segundo Teresa, a pesquisa também levantou novos problemas, como o de fazer um dispositivo com uma área maior. "Outro desafio é reproduzir protótipos com alta reprodutibilidade, que permitam uma rotina de fabricação", indicou.
O artigo Electroluminescence of (styrene-co-acrylic acid) ionomer/conjugated MEH-PPV blends, de Rafael Cossiello, Teresa Atvars e outros, pode ser lido em www.sciencedirect.com/science/journal/03796779.
Agência FAPESP – Misturando dois polímeros com propriedades diferentes, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conseguiram aumentar a eletroluminescência de um dispositivo orgânico emissor de luz (Oled, na sigla em inglês). A pesquisa é matéria da revista Synthetic Metals.
Descobertos em 1990 por dois pesquisadores norte-americanos e um japonês – que dez anos depois ganhariam o prêmio Nobel de química pelo feito –, os Oleds prometem substituir, com diversas vantagens, as telas atuais de LCD e plasma. Tratam-se de dispositivos formados por polímeros eletroluminescentes, que emitem luz quando expostos a uma fonte de energia elétrica.
O trabalho correspondeu à tese de doutorado de Rafael Cossiello, orientada por Teresa Atvars, professora do Instituto de Química e pró-reitora de pós-graduação da Unicamp. Segundo Teresa, a base científica trazida à universidade pelo trabalho permite dizer que o grupo é capaz de trabalhar com qualquer material polimérico eletroluminescente.
"O conhecimento gerado sobre o comportamento desses materiais poderá ser retomado em outras categorias de polímeros eletroluminescentes, especialmente na área de sensores", disse a orientadora da pesquisa à Agência FAPESP
Teresa aponta que os Oleds têm grande vantagem em relação aos dispositivos inorgânicos – normalmente feitos de silício – utilizados em displays de diversos aparelhos eletrônicos. Como existe uma grande variedade de polímeros com propriedades eletroluminescentes, mudanças na estrutura das moléculas possibilitam varrer todo o espectro de cores.
"Com os semicondutores inorgânicos essas possibilidades são muito mais limitadas. A vantagem da química orgânica é uma flexibilidade estrutural muito maior. O problema dos dispositivos poliméricos, no entanto, é que a estabilidade quimica não é tão boa e, portanto, a duração do dispositivo não é muito grande. Por outro lado, o brilho é muito maior", explicou.
Os pesquisadores têm procurado meios para estabilizar e aumentar o ciclo de utilização dos dispositivos. "Já existem protótipos de TVs nas quais as moléculas eletroluminescentes substituem o cristal líquido. Isso possibilita a criação de telas com espessura de 3 milímetros, o que seria impossível com o LCD", disse a professora do IQ da Unicamp.
No trabalho, os pesquisadores procuraram otimizar as propriedades do material, misturando um polímero eletroluminescente com outro sem essa propriedade. O resultado foi um aumento de quatro vezes na eficiência da eletroluminescência, com estabilidade maior do que no dispositivo sem a mistura polimérica.
"Estudamos uma série de aspectos relacionados à morfologia do material, como a distribuição do material luminescente sobre a matriz não-luminescente. Optamos por otimizar o dispositivo misturando os dois materiais e procuramos entender o processo e as razões dessa otimização, a fim de abrir caminho para o desenvolvimento tecnológico", explicou.
Área maior é desafio
O grupo da Unicamp utilizou o polímero orgânico eletroluminescente conhecido como MEH-PPV. O outro material foi um polímero sintetizado pelo grupo e formado por três partes.
"Uma das partes era um poliestireno – uma matriz de baixo custo utilizada, por exemplo, em copos plásticos transparentes e réguas escolares – que não forma um bom material quando misturado ao MEH-PPV. Por isso acrescentamos uma parte de acrílico e uma parte de um grupo ácido", explicou Teresa.
A combinação dos três blocos propiciou as características adequadas para que o material, interagindo com o MEH-PPV, aumentasse consideravelmente o rendimento do dispositivo. "A mistura criou, entre os dois materiais, interações específicas que não seriam possíveis isoladamente nem no acrílico nem no poliestireno", disse.
Segundo a professora, esse tipo de estudo requer a utilização de múltiplas técnicas. A montagem do dispositivo é feita com um material condutor sobre uma superfície de vidro. Depois a mistura de polímeros é depositada sobre o material e o eletrodo é instalado.
"O dispositivo que fizemos é um protótipo com área de um centímetro quadrado. Uma vez concluído, uma série de aparelhos aplicam uma corrente elétrica e um sistema de espectroscopia de emissão é utilizado para medir a intensidade da luz", disse.
A professora salientou que a instrumentação utilizada para pesquisa foi proporcionada pelas parcerias com diversos laboratórios. "Nosso grupo foi introduzido, há seis anos, no Instituto Multidisciplinar de Materiais Poliméricos (IMMP), um dos Institutos do Milênio. Isso facilitou o acesso à instrumentação necessária nessa pequisa que é altamente interdisciplinar", afirmou.
Segundo Teresa, a pesquisa também levantou novos problemas, como o de fazer um dispositivo com uma área maior. "Outro desafio é reproduzir protótipos com alta reprodutibilidade, que permitam uma rotina de fabricação", indicou.
O artigo Electroluminescence of (styrene-co-acrylic acid) ionomer/conjugated MEH-PPV blends, de Rafael Cossiello, Teresa Atvars e outros, pode ser lido em www.sciencedirect.com/science/journal/03796779.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Uma nova «Terceira Via» política
Como um interessado e habitual leitor do que se passa ao nosso redor, gostei de ler um artigo do conhecido jornal ABC do país vizinho, assinado por Juan Pedro Quiñoner desde Paris, a bem conhecida e histórica capital francesa.
Li e reli o artigo que este jornalista castelhano escrevera desde Paris. Sinceramente gostei do conteúdo e interpretando-o, comecei imediatamente a fazer algumas conexões com o que porventura se poderá passar na Europa ou muito particularmente ou não neste nosso europeu Portugal.
Tentei simultaneamente equacionar uma relação dos resultados das últimas eleições europeias com o fim do Jornal Nacional das Sextas-feiras da TVI, com o afastamento da jornalista Dra. Manuela Moura Guedes e depois com as análises dos vários quadrantes políticos.
Trata-se efectivamente de uma opinião, ou melhor, de uma interpretação muito pessoal, numa perspectiva ideológica oriunda do país onde as palavras “Liberdade”, “Igualdade” e “Fraternidade” influenciariam desde o séc. XVIII este nosso Mundo que hoje em dia se afigura cada mais globalizante.
Mas ao debruçar-me efectivamente no artigo de opinião do ABC, não resisti em realçar algumas passagens que me mereceram uma particular atenção.
Segundo o jornalista, Juan Quiñonero, o presidente Nicolas Sarkozy vai fazendo crescer a sua maioria presidencial à esquerda e à direita, numa recomposição de todo o panorama político francês, associando ao seu projecto pessoal novos minúsculos grupos políticos e pequenos partidos que acabam por constituir uma autêntica cobertura ideológica sem precedentes, desde a esquerda independente até à direita da própria direita.
Foi recentemente constituído o “Comité de Coordenação da Maioria Presidencial” que será uma organização encarregada de engrenar esta nova e apaixonante política sarkoziana que começou a governar com uma “abertura à esquerda”. Lembra -se a coabitação de Sarkozy com socialistas históricos como Bernard Kouchner, um dos mais populares socialistas franceses, agora Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo francês. Também Michel Rocard, antigo PM de François Mitterrand e um dos líderes históricos do socialismo francês, é hoje embaixador de França para os assuntos da Antártida.
Impressionante esta impensável estratégia. Mas há mais, quando o Presidente Sarkozy convenceu Philippe de Villiers, presidente do Movimento pela França (conservador nacionalista), Frédéric Nihous, representante da direita rural, Christine Boutin, uma pura e dura democrata-cristã, Hevé Morin do Novo Centro e Jean-Louis Borloo do Partido Radical a coabitarem e integrando a sua maioria presidencial, enterrando-se todas as querelas antigas.
Pela primeira vez na história da V Republica, o Presidente Sarkozy conta com uma maioria que ultrapassa e muito as fronteiras do seu próprio partido. A nova maioria presidencial é uma arma bastante estratégica com candidatos comuns em quase todas as regiões para combater a esquerda socialista nas futuras eleições regionais e alcançar a reeleição.
Voltando ao panorama nacional reparamos nos recentes acontecimentos em Portugal e em especial o inexplicável e incompreensível facto do fim do Jornal Nacional das Sextas-feiras na TVI, precisamente uma resolução considerada mais política que empresarial na pior altura que fragiliza e bem o governo socialista e o seu líder.
Ouvimos com atenção o Presidente Cavaco Silva falar da independência da Informação como uma conquista do 25 de Abril e apreciei bastante a oportuna sabedoria política do Dr. Mário Soares, ao responder numa entrevista, que pessoalmente até simpatizava com a Dra. Manuela Moura Guedes e que dar a vitória à direita seria um erro que a esquerda pagaria muito caro.
Quer o actual Presidente da República, quer o ex Presidente Dr. Mário Soares são políticos muitíssimo hábeis e com uma enorme experiência. Algumas vezes as palavras exprimem algo de importante para os analistas políticos pensarem e analisarem.
Tudo o que lemos sobre a política “sarkoziana” no referido artigo do ABC, poderá indubitavelmente proporcionar algumas ramificações em Portugal com algumas excepções que obviamente confirmariam a regra, como por exemplo uma recente intervenção do líder autárquico escalabitano.
Se o centro direita vencesse as eleições, ao contrário do que muito boa gente pensa, até poderia fazer uma autêntica abertura à considerada esquerda mais independente e moderada. Talvez haja aqui um receio dos socialistas e até de alguns esquerdistas mais informados, de que possa haver uma nova revolução francesa. A intervenção recente do Dr. Pina Moura poderá ser talvez um princípio ou uma excepção.
Uma maioria presidencial altamente mais abrangente pode estar já em formação para apoiar inequivocamente o actual PR. Um Bloco Central liderado pelo PSD ou pelo PS poderia fazer parte da experiência. Eleições antecipadas no limite máximo constitucional poderão ser uma solução mas quem as provocar seria penalizado eleitoralmente.
A chave para esta problemática política está sempre nas virtudes da democracia pluralista e semi-presidencialista. Por isso está na vontade dos portugueses e na experiência ou habilidade política do Sr. Presidente da República. Eu confio que os portugueses saberão dar a resposta adequada e certa.
Os portugueses sabem mais do que se pensa e não se deixarão enganar por défices de credibilidade na explicação atabalhoada de certos acontecimentos considerados politicamente graves.
“Manoel Nascimento Carrillo”
Li e reli o artigo que este jornalista castelhano escrevera desde Paris. Sinceramente gostei do conteúdo e interpretando-o, comecei imediatamente a fazer algumas conexões com o que porventura se poderá passar na Europa ou muito particularmente ou não neste nosso europeu Portugal.
Tentei simultaneamente equacionar uma relação dos resultados das últimas eleições europeias com o fim do Jornal Nacional das Sextas-feiras da TVI, com o afastamento da jornalista Dra. Manuela Moura Guedes e depois com as análises dos vários quadrantes políticos.
Trata-se efectivamente de uma opinião, ou melhor, de uma interpretação muito pessoal, numa perspectiva ideológica oriunda do país onde as palavras “Liberdade”, “Igualdade” e “Fraternidade” influenciariam desde o séc. XVIII este nosso Mundo que hoje em dia se afigura cada mais globalizante.
Mas ao debruçar-me efectivamente no artigo de opinião do ABC, não resisti em realçar algumas passagens que me mereceram uma particular atenção.
Segundo o jornalista, Juan Quiñonero, o presidente Nicolas Sarkozy vai fazendo crescer a sua maioria presidencial à esquerda e à direita, numa recomposição de todo o panorama político francês, associando ao seu projecto pessoal novos minúsculos grupos políticos e pequenos partidos que acabam por constituir uma autêntica cobertura ideológica sem precedentes, desde a esquerda independente até à direita da própria direita.
Foi recentemente constituído o “Comité de Coordenação da Maioria Presidencial” que será uma organização encarregada de engrenar esta nova e apaixonante política sarkoziana que começou a governar com uma “abertura à esquerda”. Lembra -se a coabitação de Sarkozy com socialistas históricos como Bernard Kouchner, um dos mais populares socialistas franceses, agora Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo francês. Também Michel Rocard, antigo PM de François Mitterrand e um dos líderes históricos do socialismo francês, é hoje embaixador de França para os assuntos da Antártida.
Impressionante esta impensável estratégia. Mas há mais, quando o Presidente Sarkozy convenceu Philippe de Villiers, presidente do Movimento pela França (conservador nacionalista), Frédéric Nihous, representante da direita rural, Christine Boutin, uma pura e dura democrata-cristã, Hevé Morin do Novo Centro e Jean-Louis Borloo do Partido Radical a coabitarem e integrando a sua maioria presidencial, enterrando-se todas as querelas antigas.
Pela primeira vez na história da V Republica, o Presidente Sarkozy conta com uma maioria que ultrapassa e muito as fronteiras do seu próprio partido. A nova maioria presidencial é uma arma bastante estratégica com candidatos comuns em quase todas as regiões para combater a esquerda socialista nas futuras eleições regionais e alcançar a reeleição.
Voltando ao panorama nacional reparamos nos recentes acontecimentos em Portugal e em especial o inexplicável e incompreensível facto do fim do Jornal Nacional das Sextas-feiras na TVI, precisamente uma resolução considerada mais política que empresarial na pior altura que fragiliza e bem o governo socialista e o seu líder.
Ouvimos com atenção o Presidente Cavaco Silva falar da independência da Informação como uma conquista do 25 de Abril e apreciei bastante a oportuna sabedoria política do Dr. Mário Soares, ao responder numa entrevista, que pessoalmente até simpatizava com a Dra. Manuela Moura Guedes e que dar a vitória à direita seria um erro que a esquerda pagaria muito caro.
Quer o actual Presidente da República, quer o ex Presidente Dr. Mário Soares são políticos muitíssimo hábeis e com uma enorme experiência. Algumas vezes as palavras exprimem algo de importante para os analistas políticos pensarem e analisarem.
Tudo o que lemos sobre a política “sarkoziana” no referido artigo do ABC, poderá indubitavelmente proporcionar algumas ramificações em Portugal com algumas excepções que obviamente confirmariam a regra, como por exemplo uma recente intervenção do líder autárquico escalabitano.
Se o centro direita vencesse as eleições, ao contrário do que muito boa gente pensa, até poderia fazer uma autêntica abertura à considerada esquerda mais independente e moderada. Talvez haja aqui um receio dos socialistas e até de alguns esquerdistas mais informados, de que possa haver uma nova revolução francesa. A intervenção recente do Dr. Pina Moura poderá ser talvez um princípio ou uma excepção.
Uma maioria presidencial altamente mais abrangente pode estar já em formação para apoiar inequivocamente o actual PR. Um Bloco Central liderado pelo PSD ou pelo PS poderia fazer parte da experiência. Eleições antecipadas no limite máximo constitucional poderão ser uma solução mas quem as provocar seria penalizado eleitoralmente.
A chave para esta problemática política está sempre nas virtudes da democracia pluralista e semi-presidencialista. Por isso está na vontade dos portugueses e na experiência ou habilidade política do Sr. Presidente da República. Eu confio que os portugueses saberão dar a resposta adequada e certa.
Os portugueses sabem mais do que se pensa e não se deixarão enganar por défices de credibilidade na explicação atabalhoada de certos acontecimentos considerados politicamente graves.
“Manoel Nascimento Carrillo”
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Mundo virtual estuda memória episódica
Por Fabio Reynol
Agência FAPESP – Uma criatura começa a explorar um mundo desconhecido. Ela tem que executar certas tarefas predeterminadas como coletar alimentos, encontrar e recolher objetos coloridos e competir com outras criaturas que também terão que fazer esses trabalhos e tentarão enganá-la, escondendo a comida e os objetos que possam lhe interessar.
Esse cenário foi criado virtualmente por um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Uma vez lá dentro, as criaturas são autônomas, ou seja, nenhum humano a controla. Elas devem agir de acordo com o que conseguiram aprender ao longo dessa convivência. Esse mundo eletrônico foi projetado para estudar e aplicar um tipo de memória que ainda é pouco explorada pela ciência, a memória episódica.
“É a memória de nossa história pessoal que se baseia naquilo que fizemos e nas coisas que testemunhamos”, explicou o coordenador da pesquisa, Ricardo Ribeiro Gudwin, professor da Faculdade de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação da Unicamp, durante o Seminário Raciocínio Baseado em Modelo em Ciência e Tecnologia, ocorrido na universidade.
O evento foi realizado no âmbito do Projeto Temático Logical Consequence and Combinations of Logics – Fundaments and Efficient Applications apoiado pela FAPESP e coordenado por Walter Carnielli, professor do Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.
Segundo Gudwin, para que seja bem-sucedida, a criatura virtual conta com recursos que tentam simular os sistemas cognitivos de animais e de seres humanos. Como em muitas situações comuns na vida real, será preciso recolher informações a respeito de um ambiente desconhecido (fazer uma codificação), guardá-las de um modo eficiente (armazenamento) e depois acessá-las quando forem necessárias (recuperação).
Para desenvolver essa memória, o grupo elaborou regras que devem ser seguidas para todas as criaturas do ambiente virtual: evitar paredes e outros obstáculos, coletar alimentos, que podem ser ou não perecíveis, recolher determinados objetos do cenário e tentar prever o que os demais atores do jogo farão e tentar atrapalhá-los. “Essa última função está ligada à teoria da mente, que envolve tentar saber o que o outro pensa”, disse.
A experiência também procura reproduzir algumas complexidades e técnicas usadas por humanos para relembrar episódios. De acordo com o pesquisador da Unicamp, não há espaço para absorver todas as informações com as quais se tem contato, por isso, na hora de registrar algo, é preciso utilizar filtros que eliminem dados menos importantes e lançar mão de estratégias para economizar memória, como manter em um arquivo único memórias muito parecidas.
As criaturas também tentam reproduzir habilidades mais difíceis, como conseguir estabelecer conexões entre causas e efeitos que estão bastante separados no tempo. São as chamadas “consequências tardias”, ou a associação de uma reação ocorrida no presente à ação que a causou, mas que se passou há dias, meses ou anos.
Decisões próprias
Fazer o sistema aprender e desenvolver a própria memória em vez de carregar dados prontos pode abrir portas para novas aplicações em computação nas quais o volume de dados ainda são uma barreira.
“Quando o ambiente é muito extenso, não há como colocar todos os dados nem fazer uma programação de trajetória, por isso é importante que o sistema descubra sozinho essas informações”, disse Gudwin.
Isso se aplica, por exemplo, a sistemas de monitoramento de tráfego. Em vez de dar entrada com os dados de toda uma malha viária, um sistema dotado de memória episódica poderia identificar pontos de gargalo e tomar decisões prioritárias a fim de manter o fluxo de veículos.
De acordo com Gudwin, a administração de empresas também ficaria mais eficiente com sistemas descobrindo sozinhos problemas que seriam difíceis de serem detectados em uma grande companhia. E os fãs de jogos eletrônicos poderiam contar com oponentes virtuais “inteligentes”, capazes de aprender sobre as fraquezas do rival e evoluir como se fossem de carne e osso.
Agência FAPESP – Uma criatura começa a explorar um mundo desconhecido. Ela tem que executar certas tarefas predeterminadas como coletar alimentos, encontrar e recolher objetos coloridos e competir com outras criaturas que também terão que fazer esses trabalhos e tentarão enganá-la, escondendo a comida e os objetos que possam lhe interessar.
Esse cenário foi criado virtualmente por um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Uma vez lá dentro, as criaturas são autônomas, ou seja, nenhum humano a controla. Elas devem agir de acordo com o que conseguiram aprender ao longo dessa convivência. Esse mundo eletrônico foi projetado para estudar e aplicar um tipo de memória que ainda é pouco explorada pela ciência, a memória episódica.
“É a memória de nossa história pessoal que se baseia naquilo que fizemos e nas coisas que testemunhamos”, explicou o coordenador da pesquisa, Ricardo Ribeiro Gudwin, professor da Faculdade de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação da Unicamp, durante o Seminário Raciocínio Baseado em Modelo em Ciência e Tecnologia, ocorrido na universidade.
O evento foi realizado no âmbito do Projeto Temático Logical Consequence and Combinations of Logics – Fundaments and Efficient Applications apoiado pela FAPESP e coordenado por Walter Carnielli, professor do Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.
Segundo Gudwin, para que seja bem-sucedida, a criatura virtual conta com recursos que tentam simular os sistemas cognitivos de animais e de seres humanos. Como em muitas situações comuns na vida real, será preciso recolher informações a respeito de um ambiente desconhecido (fazer uma codificação), guardá-las de um modo eficiente (armazenamento) e depois acessá-las quando forem necessárias (recuperação).
Para desenvolver essa memória, o grupo elaborou regras que devem ser seguidas para todas as criaturas do ambiente virtual: evitar paredes e outros obstáculos, coletar alimentos, que podem ser ou não perecíveis, recolher determinados objetos do cenário e tentar prever o que os demais atores do jogo farão e tentar atrapalhá-los. “Essa última função está ligada à teoria da mente, que envolve tentar saber o que o outro pensa”, disse.
A experiência também procura reproduzir algumas complexidades e técnicas usadas por humanos para relembrar episódios. De acordo com o pesquisador da Unicamp, não há espaço para absorver todas as informações com as quais se tem contato, por isso, na hora de registrar algo, é preciso utilizar filtros que eliminem dados menos importantes e lançar mão de estratégias para economizar memória, como manter em um arquivo único memórias muito parecidas.
As criaturas também tentam reproduzir habilidades mais difíceis, como conseguir estabelecer conexões entre causas e efeitos que estão bastante separados no tempo. São as chamadas “consequências tardias”, ou a associação de uma reação ocorrida no presente à ação que a causou, mas que se passou há dias, meses ou anos.
Decisões próprias
Fazer o sistema aprender e desenvolver a própria memória em vez de carregar dados prontos pode abrir portas para novas aplicações em computação nas quais o volume de dados ainda são uma barreira.
“Quando o ambiente é muito extenso, não há como colocar todos os dados nem fazer uma programação de trajetória, por isso é importante que o sistema descubra sozinho essas informações”, disse Gudwin.
Isso se aplica, por exemplo, a sistemas de monitoramento de tráfego. Em vez de dar entrada com os dados de toda uma malha viária, um sistema dotado de memória episódica poderia identificar pontos de gargalo e tomar decisões prioritárias a fim de manter o fluxo de veículos.
De acordo com Gudwin, a administração de empresas também ficaria mais eficiente com sistemas descobrindo sozinhos problemas que seriam difíceis de serem detectados em uma grande companhia. E os fãs de jogos eletrônicos poderiam contar com oponentes virtuais “inteligentes”, capazes de aprender sobre as fraquezas do rival e evoluir como se fossem de carne e osso.
A tapetada da ignorância ou os novos ovos da serpente
As mídias vêm divulgando a nova moda, que contaria com muitos adeptos e admiradores. Ela consiste em enrolar os tapetes dos automóveis, transformando-os em cassetetes improvisados. Estes são manejados por jovens, que se divertem com os efeitos dos golpes desferidos no corpo de desavisados, pedestres ou ciclistas que circulam no espaço público. A ‘brincadeira’, fortemente ofensiva, consiste em fazer o outro sentir uma dor intensa. Pelo menos em um caso, a tapetada foi acompanhada de outras agressões racistas feitas a um homem negro.
Os alvos são os passantes, aqueles que ousam dividir o espaço das cidades com os demais membros da população. Os eventos são filmados e depois divulgados na Internet, com muito orgulho e sensação do dever cumprido. Os tapeteiros têm muitos fãs, como se pode ver nas redes de relacionamento. Ao que parece, eles se acham o máximo e desconhecem qualquer regra de convivência e respeito social. Existem os que fazem, os que ajudam e os que aprovam tal barbaridade. Eles batem em moças – Será que existe algum teor sexual no comportamento deles? –, rapazes e em qualquer outro alvo que lhes pareça ‘merecedor’ de uma tapetada.
Estes novos agressores criptofascistas nada tem a ver com a sapatada iraquiana em Bush e com o doido que agrediu o Berlusconi. Não são atos cometidos por pessoas insatisfeitas com a ordem. Ao contrário, os tapeteiros têm mais a ver com os que agridem verbalmente ou fisicamente mulheres, negros, índios, mendigos e homossexuais. São filhos de um certo humor televisivo baseado no preconceito e no sofrimento do outro. Acreditam que estão acima de todos e podem fazer o que bem entendem. Divertem-se com a dor alheia, tal como todos que conseguem achar graça das diferenças, das tragédias e das misérias humanas.
Certamente, eles têm automóveis e alguns recursos. Há provas que vários são estudantes de nível superior de escolas privadas. Alguns frequentam cursos que lhes darão diplomas impossíveis de serem acessados pela maioria dos estudantes brasileiros. Moram, comem e bebem sem nenhum problema. Eles têm tempo livre à vontade para vadiar por aí, buscando encontrar um sentido, mesmo que negativo, para suas vidas. Vão da ação violenta à sua divulgação na Internet em minutos.
Eles não conhecem o real significado da expressão direitos humanos e têm raiva de quem lembra da mesma. Acham que são mais brasileiros do que os que agridem, não demonstrando qualquer culpa ou remorso. Mesmo assim, como são, em sua maioria, brancos e socialmente bem situados, conseguem ter um tratamento diferencial quando são pegos. Não há registro que suas famílias deixem de apoiá-los ou exerçam qualquer tipo de controle de seus comportamentos violentos. Flutuam na atmosfera de uma sociedade baseada na diferença extrema, na baixa cultura e na falta de inteligência e de compaixão.
Estes jovens são os novos ovos da serpente. Representam o que há de pior na sociedade brasileira. Aqueles que, dependendo da evolução da história do país, estarão prontos para tentar impedir qualquer mudança e para garantir seus privilégios de classe. Estão sendo chocados e se preparando para um possível embate no futuro. O que fazem hoje, talvez seja uma pequena amostra do que poderão fazer em outro contexto. Só é possível evitar isto, se desde hoje a vigilância democrática esteja atenta para as manifestações ainda líquidas de um fascismo que poderá se solidificar, dependendo de quem estiver no poder central.
O estímulo à leitura e ao consumo da obra de arte de qualidade - popular e erudita - são antídotos a ser considerados. A Internet, por exemplo, é um meio de comunicação, onde há de tudo um pouco. Eles trafegam no lixo, mas poderiam usar o mesmo meio para acessar as conquistas da filosofia, das artes e das ciências. É tecnofobia demonizar o meio. O problema está no modo que eles são capturados para usá-lo.
Na verdade, eles vieram do consumo de uma televisão de baixíssima qualidade e de outras mídias também pouco edificantes. Hoje, estes jovens encontram na Internet os mesmos vícios e problemas, potencializados pela interatividade. Não é difícil que eles acreditem que o mundo é só o que eles e suas redes intersubjetivas imaginam como o único e possível.
Eles pouco ou nada ouvem, vêem ou lêem comunicando o combate aos preconceitos tradicionais da sociedade brasileira. Não sabem o que são exatamente o racismo, o sexismo, a homofobia, o idadismo e o terrível e secreto preconceito contra a inteligência. Certamente, não compreendem que a pobreza não é um destino e sim um problema político.
Há razões de sobra para desconfiarem de tudo que cheire a política e para imaginarem que qualquer um interessado nisto é um ladrão. Em suma, estão apartados de um instrumental básico para compreender o mundo em que vivem. São alienados, manipulados pelos mais fortes e manipuladores dos mais fracos que conseguem alcançar.
Luís Carlos Lopes é professor e autor do livro Tv, poder e substância: a espiral da intriga, de entre outros.
Os alvos são os passantes, aqueles que ousam dividir o espaço das cidades com os demais membros da população. Os eventos são filmados e depois divulgados na Internet, com muito orgulho e sensação do dever cumprido. Os tapeteiros têm muitos fãs, como se pode ver nas redes de relacionamento. Ao que parece, eles se acham o máximo e desconhecem qualquer regra de convivência e respeito social. Existem os que fazem, os que ajudam e os que aprovam tal barbaridade. Eles batem em moças – Será que existe algum teor sexual no comportamento deles? –, rapazes e em qualquer outro alvo que lhes pareça ‘merecedor’ de uma tapetada.
Estes novos agressores criptofascistas nada tem a ver com a sapatada iraquiana em Bush e com o doido que agrediu o Berlusconi. Não são atos cometidos por pessoas insatisfeitas com a ordem. Ao contrário, os tapeteiros têm mais a ver com os que agridem verbalmente ou fisicamente mulheres, negros, índios, mendigos e homossexuais. São filhos de um certo humor televisivo baseado no preconceito e no sofrimento do outro. Acreditam que estão acima de todos e podem fazer o que bem entendem. Divertem-se com a dor alheia, tal como todos que conseguem achar graça das diferenças, das tragédias e das misérias humanas.
Certamente, eles têm automóveis e alguns recursos. Há provas que vários são estudantes de nível superior de escolas privadas. Alguns frequentam cursos que lhes darão diplomas impossíveis de serem acessados pela maioria dos estudantes brasileiros. Moram, comem e bebem sem nenhum problema. Eles têm tempo livre à vontade para vadiar por aí, buscando encontrar um sentido, mesmo que negativo, para suas vidas. Vão da ação violenta à sua divulgação na Internet em minutos.
Eles não conhecem o real significado da expressão direitos humanos e têm raiva de quem lembra da mesma. Acham que são mais brasileiros do que os que agridem, não demonstrando qualquer culpa ou remorso. Mesmo assim, como são, em sua maioria, brancos e socialmente bem situados, conseguem ter um tratamento diferencial quando são pegos. Não há registro que suas famílias deixem de apoiá-los ou exerçam qualquer tipo de controle de seus comportamentos violentos. Flutuam na atmosfera de uma sociedade baseada na diferença extrema, na baixa cultura e na falta de inteligência e de compaixão.
Estes jovens são os novos ovos da serpente. Representam o que há de pior na sociedade brasileira. Aqueles que, dependendo da evolução da história do país, estarão prontos para tentar impedir qualquer mudança e para garantir seus privilégios de classe. Estão sendo chocados e se preparando para um possível embate no futuro. O que fazem hoje, talvez seja uma pequena amostra do que poderão fazer em outro contexto. Só é possível evitar isto, se desde hoje a vigilância democrática esteja atenta para as manifestações ainda líquidas de um fascismo que poderá se solidificar, dependendo de quem estiver no poder central.
O estímulo à leitura e ao consumo da obra de arte de qualidade - popular e erudita - são antídotos a ser considerados. A Internet, por exemplo, é um meio de comunicação, onde há de tudo um pouco. Eles trafegam no lixo, mas poderiam usar o mesmo meio para acessar as conquistas da filosofia, das artes e das ciências. É tecnofobia demonizar o meio. O problema está no modo que eles são capturados para usá-lo.
Na verdade, eles vieram do consumo de uma televisão de baixíssima qualidade e de outras mídias também pouco edificantes. Hoje, estes jovens encontram na Internet os mesmos vícios e problemas, potencializados pela interatividade. Não é difícil que eles acreditem que o mundo é só o que eles e suas redes intersubjetivas imaginam como o único e possível.
Eles pouco ou nada ouvem, vêem ou lêem comunicando o combate aos preconceitos tradicionais da sociedade brasileira. Não sabem o que são exatamente o racismo, o sexismo, a homofobia, o idadismo e o terrível e secreto preconceito contra a inteligência. Certamente, não compreendem que a pobreza não é um destino e sim um problema político.
Há razões de sobra para desconfiarem de tudo que cheire a política e para imaginarem que qualquer um interessado nisto é um ladrão. Em suma, estão apartados de um instrumental básico para compreender o mundo em que vivem. São alienados, manipulados pelos mais fortes e manipuladores dos mais fracos que conseguem alcançar.
Luís Carlos Lopes é professor e autor do livro Tv, poder e substância: a espiral da intriga, de entre outros.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Nossos “bravos” rapazes e raparigas esquerdistas
Reles cobardes refractários à nossa última Epopeia africana.
A Revolução Francesa (conjunto de acontecimentos políticos entre 5 de Maio de 1789 e 9 de Novembro de 1799) não foi um acto que possamos considerar do momento político. A Revolução Francesa foi paulatinamente preparada ao longo de um século. Estiveram nessa primeira linha de acção os chamados enciclopedistas, ou sejam, homens como D’Alembert, Diderot e Montesquieu. Foi uma autêntica e magistral obra de toupeiras, se assim podemos dizer. Foi assim que os também designados “iluminados” prepararam, metodicamente, o seu caminho para o poder cultural, isso como um prévio e fundamental passo para o consequente assalto ao poder político, o que foi conseguido, como todos sabemos, pelo triunfo da Revolução Francesa. E foi este acontecimento político que veio dar plena emancipação às ideias demo-liberais (jacobinas) e ao fortalecimento da ideologia utópica de Jean Jacques Rousseau (autor da frase Liberté, Egalité, Fraternité).
No texto que acima edito e que intitulo “Uma das causas para o crescendo exponencial da criminalidade violenta em Portugal”, tenho ocasião de aludir, de forma enfática, ao facto de uma das razões (importantes) de hoje, em Portugal, assistirmos a um crescendo exponencial da criminalidade violenta, residir nos motivos do poder político e cultural ainda se encontrarem, praticamente, nas mãos dos marxistas (veja-se o avanço do BE - Bloco de Esquerda) e dos demo-liberais (jacobinos). E assim é realmente. Foquei, igualmente, serem os actuais seguidores de Rousseau, Marx, Engels, Freud e Levy Strauss, estes como sendo os “Founding Fathers” do “oitocentismo”, de serem os responsáveis directos pela desordem social que decorre presentemente em Portugal, tal ao fomentarem ideias desagregadoras da sociedade, muitas das quais baseadas nos princípios filosóficos do determinismo cego de Rousseau. Sobre estas o professor Doutor António Marques Bessa disse:
A tabula rasa está posta de parte. O homem não nasce como uma tabula em branco onde tudo é escrito ao sabor dos condicionalismos sociais, económicos, familiares e sexuais. O homem nasce com um património, um reportório de capacidades e um guia para a acção. É só a extensão desta herança de saber inato que está em discussão.
Já no ano de 1955, Alfred Kroeber, um dos grandes gurus do chamado establishment foi forçado a dizer «que era impossível ignorar a parte genética base», isso no que diz respeito à natureza do próprio homem. Até o antropólogo Ashley Montagu, contrário aos Etologistas Konrad Lorenz e Robert Ardrey, afirmou em 1979 que «já não havia justificação racional para a crença na tabula rasa».
Perguntar-se-á se os marxistas e demo-liberais (jacobinos) portugueses continuam a ignorar os avanços científicos entretanto realizados, por exemplo, pela Sociobiologia, iniciada por Edward Wilson em 1975, e também da Etologia? Mas isso para eles pouco importa ou é de facto algo que possa ser relevante. É que o reconhecimento (por eles) das ditas ciências, implicavam (necessariamente) o desabar da ideologia rousseauneana em que, como se esta fosse uma poderosa crença religiosa (na verdade para eles tal ideologia constitui um verdadeiro dogma da fé), querem acreditar. Aliás eles sabem perfeitamente que se renunciassem à sua ortodoxia se viam privados, logo de imediato, do seu poder político e também do autêntico terrorismo cultural e intelectual que exercem em Portugal e sobre os portugueses. Fazerem, por isso, um qualquer processo “revisionista” da história das ideias políticas, que colocaria em xeque as suas vacas sagradas, está, obviamente, fora de qualquer cogitação que possam realizar. Por isso, entre outros erros, continuam a querer acreditar no “bom selvagem”. Por isso a criminalidade violenta em Portugal cresce e as prisões cada vez ficam mais desertas de criminosos. E são os marxistas e os demo-liberais que são disso responsáveis.
Dizem, alguns (Comissão Independente de Juízes, por exemplo), que são medidas meramente economicistas. É uma análise que também podemos ter em conta, mas que não explica inteiramente o comportamento geral dos referidos (políticos marxistas e demo-liberais) em relação ao relaxe das penas aplicadas aos criminosos. A reforçar tudo quanto aqui se diz, é imperioso que não esqueçamos que em Portugal quem está no poder político e quem tutela a cultura, são os restos de pessoas que ainda fazem parte da geração do Maio de 68, muitas das quais ouviram, extasiadas, em Paris, as conversas palermas do escritor e filósofo existencialista Jean Paul Sartre e as arengas absolutamente cretinas de líderes estudantis, como Henri Webber, Daniel Cohn-Bendit (ou Dany le Rouge), Jacques Sauvageot, Geismar, Rudi Dutschke e outros idiotas militantes. Como foi entusiasmante os nossos “bravos” rapazes e raparigas esquerdistas (muitos dos quais têm ou tiveram cargos políticos ou culturais em Portugal do pós 25A74) andarem (lá, ou em espírito) misturados com os manifestantes da revolta estudantil, a atirar pedras aos polícias das CRS’s e a incendiar carros no Boulevard Saint-Germain ou Saint-Michel e a ajudarem a construir barricadas no Quartier-Latin e na Sorbone, isso quando outros jovens portugueses, lá longe, lutavam, armas na mão, no além-mar, em África, por uma África Lusa. Ainda por cima, muitos deles (e disso se ufanam, os miseráveis), foram reles cobardes refractários à nossa última Epopeia africana.
Então como é que esta gente pode e está disposta a apoiar a Lei e a Ordem Pública e também a combater a criminalidade violenta que existe neste momento em Portugal? Então também não é verdade que, tantas delas, andaram, no dito Maio de 68, pelas ruas de Paris a pintar graffitis nas paredes que diziam: «É proibido, proibir!»?
António José dos Santos Silva
A Revolução Francesa (conjunto de acontecimentos políticos entre 5 de Maio de 1789 e 9 de Novembro de 1799) não foi um acto que possamos considerar do momento político. A Revolução Francesa foi paulatinamente preparada ao longo de um século. Estiveram nessa primeira linha de acção os chamados enciclopedistas, ou sejam, homens como D’Alembert, Diderot e Montesquieu. Foi uma autêntica e magistral obra de toupeiras, se assim podemos dizer. Foi assim que os também designados “iluminados” prepararam, metodicamente, o seu caminho para o poder cultural, isso como um prévio e fundamental passo para o consequente assalto ao poder político, o que foi conseguido, como todos sabemos, pelo triunfo da Revolução Francesa. E foi este acontecimento político que veio dar plena emancipação às ideias demo-liberais (jacobinas) e ao fortalecimento da ideologia utópica de Jean Jacques Rousseau (autor da frase Liberté, Egalité, Fraternité).
No texto que acima edito e que intitulo “Uma das causas para o crescendo exponencial da criminalidade violenta em Portugal”, tenho ocasião de aludir, de forma enfática, ao facto de uma das razões (importantes) de hoje, em Portugal, assistirmos a um crescendo exponencial da criminalidade violenta, residir nos motivos do poder político e cultural ainda se encontrarem, praticamente, nas mãos dos marxistas (veja-se o avanço do BE - Bloco de Esquerda) e dos demo-liberais (jacobinos). E assim é realmente. Foquei, igualmente, serem os actuais seguidores de Rousseau, Marx, Engels, Freud e Levy Strauss, estes como sendo os “Founding Fathers” do “oitocentismo”, de serem os responsáveis directos pela desordem social que decorre presentemente em Portugal, tal ao fomentarem ideias desagregadoras da sociedade, muitas das quais baseadas nos princípios filosóficos do determinismo cego de Rousseau. Sobre estas o professor Doutor António Marques Bessa disse:
A tabula rasa está posta de parte. O homem não nasce como uma tabula em branco onde tudo é escrito ao sabor dos condicionalismos sociais, económicos, familiares e sexuais. O homem nasce com um património, um reportório de capacidades e um guia para a acção. É só a extensão desta herança de saber inato que está em discussão.
Já no ano de 1955, Alfred Kroeber, um dos grandes gurus do chamado establishment foi forçado a dizer «que era impossível ignorar a parte genética base», isso no que diz respeito à natureza do próprio homem. Até o antropólogo Ashley Montagu, contrário aos Etologistas Konrad Lorenz e Robert Ardrey, afirmou em 1979 que «já não havia justificação racional para a crença na tabula rasa».
Perguntar-se-á se os marxistas e demo-liberais (jacobinos) portugueses continuam a ignorar os avanços científicos entretanto realizados, por exemplo, pela Sociobiologia, iniciada por Edward Wilson em 1975, e também da Etologia? Mas isso para eles pouco importa ou é de facto algo que possa ser relevante. É que o reconhecimento (por eles) das ditas ciências, implicavam (necessariamente) o desabar da ideologia rousseauneana em que, como se esta fosse uma poderosa crença religiosa (na verdade para eles tal ideologia constitui um verdadeiro dogma da fé), querem acreditar. Aliás eles sabem perfeitamente que se renunciassem à sua ortodoxia se viam privados, logo de imediato, do seu poder político e também do autêntico terrorismo cultural e intelectual que exercem em Portugal e sobre os portugueses. Fazerem, por isso, um qualquer processo “revisionista” da história das ideias políticas, que colocaria em xeque as suas vacas sagradas, está, obviamente, fora de qualquer cogitação que possam realizar. Por isso, entre outros erros, continuam a querer acreditar no “bom selvagem”. Por isso a criminalidade violenta em Portugal cresce e as prisões cada vez ficam mais desertas de criminosos. E são os marxistas e os demo-liberais que são disso responsáveis.
Dizem, alguns (Comissão Independente de Juízes, por exemplo), que são medidas meramente economicistas. É uma análise que também podemos ter em conta, mas que não explica inteiramente o comportamento geral dos referidos (políticos marxistas e demo-liberais) em relação ao relaxe das penas aplicadas aos criminosos. A reforçar tudo quanto aqui se diz, é imperioso que não esqueçamos que em Portugal quem está no poder político e quem tutela a cultura, são os restos de pessoas que ainda fazem parte da geração do Maio de 68, muitas das quais ouviram, extasiadas, em Paris, as conversas palermas do escritor e filósofo existencialista Jean Paul Sartre e as arengas absolutamente cretinas de líderes estudantis, como Henri Webber, Daniel Cohn-Bendit (ou Dany le Rouge), Jacques Sauvageot, Geismar, Rudi Dutschke e outros idiotas militantes. Como foi entusiasmante os nossos “bravos” rapazes e raparigas esquerdistas (muitos dos quais têm ou tiveram cargos políticos ou culturais em Portugal do pós 25A74) andarem (lá, ou em espírito) misturados com os manifestantes da revolta estudantil, a atirar pedras aos polícias das CRS’s e a incendiar carros no Boulevard Saint-Germain ou Saint-Michel e a ajudarem a construir barricadas no Quartier-Latin e na Sorbone, isso quando outros jovens portugueses, lá longe, lutavam, armas na mão, no além-mar, em África, por uma África Lusa. Ainda por cima, muitos deles (e disso se ufanam, os miseráveis), foram reles cobardes refractários à nossa última Epopeia africana.
Então como é que esta gente pode e está disposta a apoiar a Lei e a Ordem Pública e também a combater a criminalidade violenta que existe neste momento em Portugal? Então também não é verdade que, tantas delas, andaram, no dito Maio de 68, pelas ruas de Paris a pintar graffitis nas paredes que diziam: «É proibido, proibir!»?
António José dos Santos Silva
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
O PCP e o PSD do Barreiro são engraçados
O Partido Comunista, o Bloco de Esquerda e o Partido Social Democrata da Assembleia Municipal do Barreiro são muito engraçados, e com uma capacidade de cinismo sem igual; pois são mutantes dos respectivos partidos a nível nacional.
A nível nacional, estes partidos manifestaram-se frontalmente contra o projeto ferroviário do governo, mas em casa, no Barreiro, até aprovam moções do Partido Socialista de apoio ao projecto... cde modo bem unido, e sem duvidas de qualquer espécie.
É assim que se vai tentando enganar os eleitores, votando uma mesma matéria de acordo com as necessidades de imagem, de cada local.
No Barreiro esta tudo unido, em Lisboa, e no resto do País andam todos a trolhada.
Na integra, poder ler a moção aprovada por hunanimidade, com os votos do Partido Socialista, CDU, PSD e BE:
A moção, após algumas alterações no texto inicial, sugeridas pela bancada da CDU, foi aprovada por unanimidade.
Divulgamos o texto integral da moção aprovada na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro:
MOÇÃO
BARREIRO NOVA CENTRALIDADE FERROVIÁRIA
A rede ferroviária de Alta Velocidade irá mudar radicalmente o panorama de mobilidade de passageiros e mercadorias em Portugal, de Portugal para a Europa, com reflexos bastante positivos no nosso desenvolvimento económico e na qualidade de vida dos portugueses. A Alta Velocidade gerará efeitos positivos em todas as regiões, reforçando a integração geográfica, contribuindo para o aumento da competitividade das cidades portuguesas, para a coesão e desenvolvimento regional.
Além dos ganhos de tempo nas deslocações e do impacto sócio-económico, a Alta Velocidade contribuirá para a redução das emissões poluentes, promovendo uma mobilidade mais sustentável, o que é absolutamente estratégico no momento actual.
Em Portugal, o projecto de Alta Velocidade tem todas as condições para impulsionar o Sector Ferroviário Nacional e para permitir às empresas ganhar dimensão e competência para enfrentar os desafios da internacionalização.
O projecto de Alta Velocidade é uma prioridade política do actual Governo, com calendários bem definidos que importa cumprir.
Em Junho de 2008 foi lançado o concurso público da primeira PPP relativa ao troço Poceirão-Caia.
No passado dia 30 de Março foi lançado o concurso público internacional da segunda PPP relativa ao troço Lisboa-Poceirão, que inclui, além de outras infra-estruturas ferroviárias, a Terceira Travessia do Tejo (Barreiro-Chelas ).
A concretização destes dois troços permitirá que o eixo Lisboa-Madrid entre em funcionamento em 2013, tal como acordado entre os Governos de Portugal e Espanha.
No dia 12 do corrente mês de Dezembro, em Évora, foi adjudicada a primeira concessão do projecto de AV entre Lisboa e Madrid, ou seja, o troço Poceirão-Caia. Esta adjudicação inclui a construção, o financiamento, a manutenção e a disponibilização do conjunto de infra-estruturas ferroviárias do troço Poceirão-Caia e ainda o troço Évora-Caia da linha convencional de mercadorias Sines-Elvas-Caia, assim como a nova estação de Évora, representando um investimento de 1.359 milhões de euros.
A adjudicação deste primeiro troço faz-se num período de crise, em que o país necessita de investimento, de oportunidades de emprego. Para além de gerar vários milhares de empregos, estima-se ainda um potencial de participação da indústria nacional entre 80 e 85% do investimento no conjunto do projecto designadamente, na obra civil, nas especialidades ferroviárias, telecomunicações e tecnologias de informação e comunicação.
Foi, assim, dado o primeiro passo para que a AV saia do papel. A obra vai começar.
Esta adjudicação tem um significado muito importante para o país, para o Alentejo, para a AML, mas também para o Concelho do Barreiro.
O próximo passo será , esperamos, a adjudicação do segundo troço de AV-Lisboa/Poceirão- onde se inclui , entre outras infra-estruturas com impacto significativo no concelho do Barreiro, a TTT.
A linha de AV Lisboa-Madrid , pode considerar-se como o projecto âncora que suporta a localização da TTT no corredor Barreiro-Chelas , nas vertentes ferroviária, incluindo a linha convencional, e rodoviária.
Será graças à AV que o Barreiro voltará a ter um papel relevante no sector ferroviário nacional.Com uma nova estação ( a gare do Sul ), o Barreiro será um ponto obrigatório de paragem dos comboios Intercidades ( e/ou outros comboios rápidos ) com origem em Lisboa e cujo destino seja o Alentejo ou o Algarve e v.v. O Barreiro irá ter, finalmente, comboios de longo curso com maior frequência, maior rapidez, maior comodidade.
No Barreiro serão ainda instaladas as oficinas de apoio à AV(PMO), conforme compromisso do anterior e do actual Governo e promover-se-á a modernização das Oficinas da EMEF.
Após a electrificação da linha do Sado, no percurso Barreiro-Praias do Sado, inaugurada em 14 de Dezembro de 2008, que contribuiu claramente para a melhoria do serviço ferroviário entre o Barreiro e Setúbal, numa lógica de favorecimento da mobilidade regional para cidades cujos serviços servem as populações locais, a concretização do grande projecto ferroviário em curso recolocará o Barreiro no Século XXI, como uma referência no mapa ferroviário nacional, num patamar qualitativamente superior ao que já teve nos Séculos XIX e XX.
Assim, a Assembleia Municipal do Barreiro, reunida em Sessão Ordinária, no dia 17 de Dezembro de 2009, delibera:
1- Saudar a adjudicação da Concessão do Troço Poceirão-Caia, integrado na ligação de Alta Velocidade ( AV ) entre Lisboa e Madrid, relevando o facto de estar a honrar os compromissos assumidos com o país e a nossa região, contrariando quem, ao arrepio do interesse nacional, sempre pretendeu suspender/adiar a execução deste projecto;
2- Apelar ao Governo para que decida e formalize rapidamente a adjudicação da Concessão do Troço Lisboa-Poceirão ( concurso lançado em 30 de Março ), cujas propostas seleccionadas se encontram em análise final, e que cumpra com todos os compromissos referentes às obras associadas a este grande projecto, estruturantes para o Concelho do Barreiro, de modo a que a AV Lisboa-Madrid e a Terceira Travessia do Tejo ( TTT ) -Barreiro-Chelas ( rodo-ferroviária) sejam uma realidade em 2013;
3- Exortar o Governo e a Câmara para continuarem a colaborar activamento com o objectivo de consolidar o Barreiro como uma importante centralidade ferroviária.
Barreiro, 17 de Dezembro de 2009
O GRUPO MUNICIPAL DO PARTIDO SOCIALISTA
A nível nacional, estes partidos manifestaram-se frontalmente contra o projeto ferroviário do governo, mas em casa, no Barreiro, até aprovam moções do Partido Socialista de apoio ao projecto... cde modo bem unido, e sem duvidas de qualquer espécie.
É assim que se vai tentando enganar os eleitores, votando uma mesma matéria de acordo com as necessidades de imagem, de cada local.
No Barreiro esta tudo unido, em Lisboa, e no resto do País andam todos a trolhada.
Na integra, poder ler a moção aprovada por hunanimidade, com os votos do Partido Socialista, CDU, PSD e BE:
A moção, após algumas alterações no texto inicial, sugeridas pela bancada da CDU, foi aprovada por unanimidade.
Divulgamos o texto integral da moção aprovada na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro:
MOÇÃO
BARREIRO NOVA CENTRALIDADE FERROVIÁRIA
A rede ferroviária de Alta Velocidade irá mudar radicalmente o panorama de mobilidade de passageiros e mercadorias em Portugal, de Portugal para a Europa, com reflexos bastante positivos no nosso desenvolvimento económico e na qualidade de vida dos portugueses. A Alta Velocidade gerará efeitos positivos em todas as regiões, reforçando a integração geográfica, contribuindo para o aumento da competitividade das cidades portuguesas, para a coesão e desenvolvimento regional.
Além dos ganhos de tempo nas deslocações e do impacto sócio-económico, a Alta Velocidade contribuirá para a redução das emissões poluentes, promovendo uma mobilidade mais sustentável, o que é absolutamente estratégico no momento actual.
Em Portugal, o projecto de Alta Velocidade tem todas as condições para impulsionar o Sector Ferroviário Nacional e para permitir às empresas ganhar dimensão e competência para enfrentar os desafios da internacionalização.
O projecto de Alta Velocidade é uma prioridade política do actual Governo, com calendários bem definidos que importa cumprir.
Em Junho de 2008 foi lançado o concurso público da primeira PPP relativa ao troço Poceirão-Caia.
No passado dia 30 de Março foi lançado o concurso público internacional da segunda PPP relativa ao troço Lisboa-Poceirão, que inclui, além de outras infra-estruturas ferroviárias, a Terceira Travessia do Tejo (Barreiro-Chelas ).
A concretização destes dois troços permitirá que o eixo Lisboa-Madrid entre em funcionamento em 2013, tal como acordado entre os Governos de Portugal e Espanha.
No dia 12 do corrente mês de Dezembro, em Évora, foi adjudicada a primeira concessão do projecto de AV entre Lisboa e Madrid, ou seja, o troço Poceirão-Caia. Esta adjudicação inclui a construção, o financiamento, a manutenção e a disponibilização do conjunto de infra-estruturas ferroviárias do troço Poceirão-Caia e ainda o troço Évora-Caia da linha convencional de mercadorias Sines-Elvas-Caia, assim como a nova estação de Évora, representando um investimento de 1.359 milhões de euros.
A adjudicação deste primeiro troço faz-se num período de crise, em que o país necessita de investimento, de oportunidades de emprego. Para além de gerar vários milhares de empregos, estima-se ainda um potencial de participação da indústria nacional entre 80 e 85% do investimento no conjunto do projecto designadamente, na obra civil, nas especialidades ferroviárias, telecomunicações e tecnologias de informação e comunicação.
Foi, assim, dado o primeiro passo para que a AV saia do papel. A obra vai começar.
Esta adjudicação tem um significado muito importante para o país, para o Alentejo, para a AML, mas também para o Concelho do Barreiro.
O próximo passo será , esperamos, a adjudicação do segundo troço de AV-Lisboa/Poceirão- onde se inclui , entre outras infra-estruturas com impacto significativo no concelho do Barreiro, a TTT.
A linha de AV Lisboa-Madrid , pode considerar-se como o projecto âncora que suporta a localização da TTT no corredor Barreiro-Chelas , nas vertentes ferroviária, incluindo a linha convencional, e rodoviária.
Será graças à AV que o Barreiro voltará a ter um papel relevante no sector ferroviário nacional.Com uma nova estação ( a gare do Sul ), o Barreiro será um ponto obrigatório de paragem dos comboios Intercidades ( e/ou outros comboios rápidos ) com origem em Lisboa e cujo destino seja o Alentejo ou o Algarve e v.v. O Barreiro irá ter, finalmente, comboios de longo curso com maior frequência, maior rapidez, maior comodidade.
No Barreiro serão ainda instaladas as oficinas de apoio à AV(PMO), conforme compromisso do anterior e do actual Governo e promover-se-á a modernização das Oficinas da EMEF.
Após a electrificação da linha do Sado, no percurso Barreiro-Praias do Sado, inaugurada em 14 de Dezembro de 2008, que contribuiu claramente para a melhoria do serviço ferroviário entre o Barreiro e Setúbal, numa lógica de favorecimento da mobilidade regional para cidades cujos serviços servem as populações locais, a concretização do grande projecto ferroviário em curso recolocará o Barreiro no Século XXI, como uma referência no mapa ferroviário nacional, num patamar qualitativamente superior ao que já teve nos Séculos XIX e XX.
Assim, a Assembleia Municipal do Barreiro, reunida em Sessão Ordinária, no dia 17 de Dezembro de 2009, delibera:
1- Saudar a adjudicação da Concessão do Troço Poceirão-Caia, integrado na ligação de Alta Velocidade ( AV ) entre Lisboa e Madrid, relevando o facto de estar a honrar os compromissos assumidos com o país e a nossa região, contrariando quem, ao arrepio do interesse nacional, sempre pretendeu suspender/adiar a execução deste projecto;
2- Apelar ao Governo para que decida e formalize rapidamente a adjudicação da Concessão do Troço Lisboa-Poceirão ( concurso lançado em 30 de Março ), cujas propostas seleccionadas se encontram em análise final, e que cumpra com todos os compromissos referentes às obras associadas a este grande projecto, estruturantes para o Concelho do Barreiro, de modo a que a AV Lisboa-Madrid e a Terceira Travessia do Tejo ( TTT ) -Barreiro-Chelas ( rodo-ferroviária) sejam uma realidade em 2013;
3- Exortar o Governo e a Câmara para continuarem a colaborar activamento com o objectivo de consolidar o Barreiro como uma importante centralidade ferroviária.
Barreiro, 17 de Dezembro de 2009
O GRUPO MUNICIPAL DO PARTIDO SOCIALISTA
sábado, 19 de dezembro de 2009
Dinossauros tinham sangue quente
Agência FAPESP – Os dinossauros ganharam esse nome do biólogo inglês Richard Owen (1804-1892), com o significado de “lagartos terríveis”. Mas estudos feitos por paleontólogos nos últimos anos têm enfatizado não a semelhança, mas sim a diferença na fisiologia dos vertebrados gigantescos pré-históricos com a dos lagartos atuais.
Uma nova pesquisa, publicada pela revista PLoS One, investiga se os dinossauros eram endotérmicos ou ectotérmicos. Ou seja, se eram mais parecidos com os mamíferos e aves atuais, com sangue quente, ou com o répteis, com sangue frio.
A questão tem implicações importantes. Se os dinossauros eram endotérmicos, eles teriam tido capacidades físicas similares às dos mamíferos e das aves. Poderiam, por exemplo, ter sobrevivido a hábitats mais frios, como montanhas e regiões polares, que matariam os animais ectotérmicos.
Mas essas vantagens têm um preço. Os animais de sangue quente precisam de mais comida do que os outros, porque seu metabolismo mais acelerado exige uma provisão constante de energia.
Segundo o estudo, os dinossauros provavelmente foram endotérmicos. Eram animais atléticos com exigências energéticas muito superiores às que os animais de sangue frio são capazes de suprir.
A pesquisa combinou análise de fósseis, dados da fisiologia de animais atuais e técnicas de modelagem em computador. Um importante dado utilizado foi que o gasto energético de andar e correr está fortemente associado com o tamanho da perna – a medida do quadril aos pés é capaz de estimar com 98% de eficácia o gasto energético de diversos animais terrestres.
Estudos anteriores feitos com animais atuais mostraram que os endotérmicos podem sustentar taxas muito mais elevadas de gasto energético. Mamíferos e aves estão sempre em movimento e queimando energia. Como se estima que os dinossauros também se movimentavam bastante, os cientistas sugerem que eles não poderiam ter sido ectotérmicos.
No novo trabalho, Herman Pontzer, da Universidade de Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos, e colegas aplicaram esses princípios para examinar modelos anatômicos de 14 espécies de dinossauros. Em computador, os pesquisadores reconstruíram os membros dos animais extintos, calculando o volume de músculo necessário para andar ou correr em diferentes velocidades.
Ao comparar os resultados para cada espécie, e organizá-las em uma árvore familiar evolucionárias, os autores verificaram que a endotermia pode ter sido uma condição ancestral para todos os dinossauros. Isso levaria a característica de sangue quente para muito tempo antes do que se imaginava.
Os pesquisadores apontam que a endotermia pode ter sido um dos principais motivos do sucesso evolucionário dos dinossauros durante os períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo.
O artigo de Herman Pontzer e colegas pode ser lido na PLoS One (acesso livre), em www.plosone.org.
Uma nova pesquisa, publicada pela revista PLoS One, investiga se os dinossauros eram endotérmicos ou ectotérmicos. Ou seja, se eram mais parecidos com os mamíferos e aves atuais, com sangue quente, ou com o répteis, com sangue frio.
A questão tem implicações importantes. Se os dinossauros eram endotérmicos, eles teriam tido capacidades físicas similares às dos mamíferos e das aves. Poderiam, por exemplo, ter sobrevivido a hábitats mais frios, como montanhas e regiões polares, que matariam os animais ectotérmicos.
Mas essas vantagens têm um preço. Os animais de sangue quente precisam de mais comida do que os outros, porque seu metabolismo mais acelerado exige uma provisão constante de energia.
Segundo o estudo, os dinossauros provavelmente foram endotérmicos. Eram animais atléticos com exigências energéticas muito superiores às que os animais de sangue frio são capazes de suprir.
A pesquisa combinou análise de fósseis, dados da fisiologia de animais atuais e técnicas de modelagem em computador. Um importante dado utilizado foi que o gasto energético de andar e correr está fortemente associado com o tamanho da perna – a medida do quadril aos pés é capaz de estimar com 98% de eficácia o gasto energético de diversos animais terrestres.
Estudos anteriores feitos com animais atuais mostraram que os endotérmicos podem sustentar taxas muito mais elevadas de gasto energético. Mamíferos e aves estão sempre em movimento e queimando energia. Como se estima que os dinossauros também se movimentavam bastante, os cientistas sugerem que eles não poderiam ter sido ectotérmicos.
No novo trabalho, Herman Pontzer, da Universidade de Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos, e colegas aplicaram esses princípios para examinar modelos anatômicos de 14 espécies de dinossauros. Em computador, os pesquisadores reconstruíram os membros dos animais extintos, calculando o volume de músculo necessário para andar ou correr em diferentes velocidades.
Ao comparar os resultados para cada espécie, e organizá-las em uma árvore familiar evolucionárias, os autores verificaram que a endotermia pode ter sido uma condição ancestral para todos os dinossauros. Isso levaria a característica de sangue quente para muito tempo antes do que se imaginava.
Os pesquisadores apontam que a endotermia pode ter sido um dos principais motivos do sucesso evolucionário dos dinossauros durante os períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo.
O artigo de Herman Pontzer e colegas pode ser lido na PLoS One (acesso livre), em www.plosone.org.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Dia de PORTUGAL no Consulado de SP - O REGABOFE CONSULAR PAULISTA
Desde que o consulado português saiu da Casa de Portugal para a nova moradia nos Jardins (Rua Canadá), o "regabofe consular" não pára de nos surpreender.
Agora, até o estacionamento é explorado por uma empresa que cobra 15 reais ao pobre do usuário que precisar de ir tratar dos documentos ao consulado.
E era bom começar por sabermos (já que fomos nós que pagámos) quanto custou a mansão e a sua remodelação por famosos arquitectos. Que negociatas foram feitas pelo consul "provador de vinhos" (o Sr Sousa, já desterrado para Timor). E o Sr embaixador Seixas da Costa (agora em Paris)e que sabe muito, faria um grande favor se nos contasse estas estórias...
A tal "reforma consular" no Brasil limitou-se a reduzir consulados para "botecos consulares" (desde Belém a Santos,Curitiba ou Porto Alegre), não resolveu nenhum problema de pessoal que foi envelhecendo e saindo (alguns ainda ficaram, mesmo com mais de 70 anos), a gestão consular continuou entregue aos curiosos Barreira de Sousa ou Sofia Batalha. E este regabofe de São Paulo, que agora é o local de festas da "socialite" Joyce pascowitch, continua entregue à bicharada, andam por lá uns afilhados de "boa gente" mais uma catrefa de "estagiários" e empresas privadas de call center, de segurança e estacionamento. Ó sr. SECP, faça o favor de nos dizer qual o artigo da Tabela de Emolumentos Consulares onde consta esta coisa de cobrar 15 reais para estacionar o carro. E como é que é contabilizado o aluguer da piscina para as festas da Joyce Pascowitsh?
É que este regabofe não constava da resolução do Conselho de ministros sobre a famigerada "reforma consular" e, como contribuintes (e não sujeitos passivos) temos direito a ser informados.
Adelo
Agora, até o estacionamento é explorado por uma empresa que cobra 15 reais ao pobre do usuário que precisar de ir tratar dos documentos ao consulado.
E era bom começar por sabermos (já que fomos nós que pagámos) quanto custou a mansão e a sua remodelação por famosos arquitectos. Que negociatas foram feitas pelo consul "provador de vinhos" (o Sr Sousa, já desterrado para Timor). E o Sr embaixador Seixas da Costa (agora em Paris)e que sabe muito, faria um grande favor se nos contasse estas estórias...
A tal "reforma consular" no Brasil limitou-se a reduzir consulados para "botecos consulares" (desde Belém a Santos,Curitiba ou Porto Alegre), não resolveu nenhum problema de pessoal que foi envelhecendo e saindo (alguns ainda ficaram, mesmo com mais de 70 anos), a gestão consular continuou entregue aos curiosos Barreira de Sousa ou Sofia Batalha. E este regabofe de São Paulo, que agora é o local de festas da "socialite" Joyce pascowitch, continua entregue à bicharada, andam por lá uns afilhados de "boa gente" mais uma catrefa de "estagiários" e empresas privadas de call center, de segurança e estacionamento. Ó sr. SECP, faça o favor de nos dizer qual o artigo da Tabela de Emolumentos Consulares onde consta esta coisa de cobrar 15 reais para estacionar o carro. E como é que é contabilizado o aluguer da piscina para as festas da Joyce Pascowitsh?
É que este regabofe não constava da resolução do Conselho de ministros sobre a famigerada "reforma consular" e, como contribuintes (e não sujeitos passivos) temos direito a ser informados.
Adelo
Condições propícias
Por Washington Castilhos
Agência FAPESP – Estudo da Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgado na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague, indica que os anos de 2000 a 2009 correspondem à década mais quente na história, derrubando a tese de que o aquecimento global estaria estacionado a partir de 1998 – ano tido como o mais quente já registrado.
Os dados também indicam que 2009 possivelmente será um dos anos de maior calor, com temperatura 0,44º C superior à média mundial. O Sul do Brasil, por exemplo, registrou um dos outonos mais quentes de sua história e um dos efeitos mais extremos das mudanças climáticas na região têm sido as constantes tempestades – Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm sofrido com tornados e temporais. O clima quente e úmido torna a área um cenário perfeito para o deslocamento de vetores de doenças, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
Invernos mais quentes favorecem a reprodução de insetos transmissores de doenças como a dengue, a malária e a leishmaniose. No caso da primeira, há a possibilidade da expansão da doença para áreas onde ela não existe.
“No Brasil o Aedes aegypti pode se expandir para o Sul e se tornar endêmico, aumentando a transmissão e a incidência da doença no país”, alerta o médico Ulisses Confalonieri, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e colaborador do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que em 2007 ganhou o Prêmio Nobel da Paz.
“O mosquito da dengue está presente em todo o Brasil, mas no extremo Sul existe em baixa população por causa do inverno mais rigoroso na região. Mas, à medida que a área fica menos fria, a incidência pode aumentar”, disse à Agência FAPESP.
Segundo ele, o mosquito só não é endêmico em Estados como o Rio Grande do Sul por ter baixa população, embora não seja somente o clima que controle a existência do vetor. “Além do clima, há uma série de fatores, como as ações humanas de controle de vetores, a forma como a urbanização é feita e como os resíduos sólidos são descartados, e também a capacidade do ambiente em formar criadouros”, explicou.
Confalonieri lembra que a incidência da dengue está mais condicionada pela temperatura e umidade adequada. “É necessário que chova para fazer umidade”, observou. O problema é que as altas temperaturas e as frequentes chuvas formam condições propícias para o mosquito se multiplicar na região, caso não haja intervenções de controle do vetor e a população não contribua para evitar a formação de criadouros.
“Existe um medo do aparecimento de doenças exóticas, as pessoas acham que o clima vai criar doenças novas. Mas o clima pode é piorar as condições de doenças que já existem e não são controladas”, alertou o pesquisador.
Em 2007, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentou as primeiras projeções climáticas detalhadas para o Brasil até o ano de 2100, utilizando cenários projetados pelo IPCC, por considerá-los os mais adequados à realidade brasileira.
Segundo tais previsões, a região Sul será de 2º C a 4º C mais quente, de 5% a 10% mais chuvosa e apresentará extremos de chuva, enchentes e temperaturas mais intensos, com impactos na agricultura e na saúde da população. Já a região Sudeste ficará de 3º C a 8º C mais quente.
Para Confalonieri, as chuvas que têm assolado o Sul do país podem estar ocorrendo em função dessa mudança no quadro regional do clima, e o que o setor da saúde precisa fazer é um mapeamento das vulnerabilidades.
“A mudança do clima é uma realidade, e os efeitos estão acontecendo de forma comprovada em algumas partes do mundo. Então, temos que saber que regiões do nosso país são mais vulneráveis. Não vulneráveis apenas porque têm ou não o mosquito da dengue ou da malária, mas também por causa da renda baixa e do pouco acesso à educação e à informação, pois fatores sociais, econômicos e culturais tornam vulneráveis uma região e sua população”, destacou.
Impactos diferentes
O pesquisador da Fiocruz atualmente coordena um projeto que pretende traçar índices de vulnerabilidade, fatores socioeconômicos e ambientais de cada município brasileiro.
“Estamos mapeando o que pode ser perdido ou impactado. Os municípios que têm maior diversidade biológica são mais vulneráveis e também aqueles em que historicamente ocorreram eventos extremos de chuva, com perdas de bens materiais”, disse
Segundo Confalonieri, as grandes cidades são impactadas de forma diferente dentro de seus próprios limites geográficos. “Em cidades como Rio de Janeiro e Salvador, por exemplo, as favelas não param de crescer. O grau de vulnerabilidade social e ambiental está aumentando. Temos que estudar o fenômeno climático e o substrato social e cultural. Com a mudança do clima o que vai acontecer com a dengue e com a leptospirose?”, questionou.
No Rio de Janeiro, o projeto já começou e o estudo deverá estar concluído em seis meses. A ideia é fazer o mesmo com cada cidade da Amazônia. “Todo município da Amazônia vai criar um indicador de vulnerabilidade. Devemos lembrar que o aquecimento global é um fenômeno que tem efeitos locais e o efeito principal não é somente o aumento da temperatura”, disse.
Agência FAPESP – Estudo da Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgado na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague, indica que os anos de 2000 a 2009 correspondem à década mais quente na história, derrubando a tese de que o aquecimento global estaria estacionado a partir de 1998 – ano tido como o mais quente já registrado.
Os dados também indicam que 2009 possivelmente será um dos anos de maior calor, com temperatura 0,44º C superior à média mundial. O Sul do Brasil, por exemplo, registrou um dos outonos mais quentes de sua história e um dos efeitos mais extremos das mudanças climáticas na região têm sido as constantes tempestades – Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm sofrido com tornados e temporais. O clima quente e úmido torna a área um cenário perfeito para o deslocamento de vetores de doenças, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
Invernos mais quentes favorecem a reprodução de insetos transmissores de doenças como a dengue, a malária e a leishmaniose. No caso da primeira, há a possibilidade da expansão da doença para áreas onde ela não existe.
“No Brasil o Aedes aegypti pode se expandir para o Sul e se tornar endêmico, aumentando a transmissão e a incidência da doença no país”, alerta o médico Ulisses Confalonieri, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e colaborador do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que em 2007 ganhou o Prêmio Nobel da Paz.
“O mosquito da dengue está presente em todo o Brasil, mas no extremo Sul existe em baixa população por causa do inverno mais rigoroso na região. Mas, à medida que a área fica menos fria, a incidência pode aumentar”, disse à Agência FAPESP.
Segundo ele, o mosquito só não é endêmico em Estados como o Rio Grande do Sul por ter baixa população, embora não seja somente o clima que controle a existência do vetor. “Além do clima, há uma série de fatores, como as ações humanas de controle de vetores, a forma como a urbanização é feita e como os resíduos sólidos são descartados, e também a capacidade do ambiente em formar criadouros”, explicou.
Confalonieri lembra que a incidência da dengue está mais condicionada pela temperatura e umidade adequada. “É necessário que chova para fazer umidade”, observou. O problema é que as altas temperaturas e as frequentes chuvas formam condições propícias para o mosquito se multiplicar na região, caso não haja intervenções de controle do vetor e a população não contribua para evitar a formação de criadouros.
“Existe um medo do aparecimento de doenças exóticas, as pessoas acham que o clima vai criar doenças novas. Mas o clima pode é piorar as condições de doenças que já existem e não são controladas”, alertou o pesquisador.
Em 2007, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentou as primeiras projeções climáticas detalhadas para o Brasil até o ano de 2100, utilizando cenários projetados pelo IPCC, por considerá-los os mais adequados à realidade brasileira.
Segundo tais previsões, a região Sul será de 2º C a 4º C mais quente, de 5% a 10% mais chuvosa e apresentará extremos de chuva, enchentes e temperaturas mais intensos, com impactos na agricultura e na saúde da população. Já a região Sudeste ficará de 3º C a 8º C mais quente.
Para Confalonieri, as chuvas que têm assolado o Sul do país podem estar ocorrendo em função dessa mudança no quadro regional do clima, e o que o setor da saúde precisa fazer é um mapeamento das vulnerabilidades.
“A mudança do clima é uma realidade, e os efeitos estão acontecendo de forma comprovada em algumas partes do mundo. Então, temos que saber que regiões do nosso país são mais vulneráveis. Não vulneráveis apenas porque têm ou não o mosquito da dengue ou da malária, mas também por causa da renda baixa e do pouco acesso à educação e à informação, pois fatores sociais, econômicos e culturais tornam vulneráveis uma região e sua população”, destacou.
Impactos diferentes
O pesquisador da Fiocruz atualmente coordena um projeto que pretende traçar índices de vulnerabilidade, fatores socioeconômicos e ambientais de cada município brasileiro.
“Estamos mapeando o que pode ser perdido ou impactado. Os municípios que têm maior diversidade biológica são mais vulneráveis e também aqueles em que historicamente ocorreram eventos extremos de chuva, com perdas de bens materiais”, disse
Segundo Confalonieri, as grandes cidades são impactadas de forma diferente dentro de seus próprios limites geográficos. “Em cidades como Rio de Janeiro e Salvador, por exemplo, as favelas não param de crescer. O grau de vulnerabilidade social e ambiental está aumentando. Temos que estudar o fenômeno climático e o substrato social e cultural. Com a mudança do clima o que vai acontecer com a dengue e com a leptospirose?”, questionou.
No Rio de Janeiro, o projeto já começou e o estudo deverá estar concluído em seis meses. A ideia é fazer o mesmo com cada cidade da Amazônia. “Todo município da Amazônia vai criar um indicador de vulnerabilidade. Devemos lembrar que o aquecimento global é um fenômeno que tem efeitos locais e o efeito principal não é somente o aumento da temperatura”, disse.
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